Para analista, crise profunda no Líbano conduz o país ao status de Estado falido

Três em cada quatro libaneses vão terminar 2020 na pobreza, graças à pandemia e tragédia no porto de Beirute
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

Como especialistas já previam, a explosão no porto de Beirute, em 4 de agosto, acentuou ainda mais a crise social e econômica vivida no Líbano. Resta saber se o país pode ser considerado um Estado falido.

A analista Kali Robinson, do think tank norte-americano Council on Foreign Relations, levantou dados que tentam responder a essa questão.

Em 2020, 75% dos libaneses vão terminar o ano na pobreza. Antes da pandemia do novo coronavírus, esse índice – já alarmante – era de 45%.

Com 1,7 milhão de refugiados – a maior população per capita do mundo – e uma dívida pública da ordem de 175% do PIB (Produto Interno Bruto), especialistas já afirmam que o Líbano caminha para se tornar falido.

Desde as explosões, diversas cidades do país têm cortes longos de energia elétrica. O recorde foi de 22 horas ininterruptas sem luz nas residências.

Líbano vive crise social e econômica após explosão do porto de Beirute
Forças do Líbano ajudam a conter a destruição após explosão do porto de Beirute, em 5 de agosto de 2020 (Foto: UN Photo/Pasqual Gorriz)

Além de acabar com as 120 mil toneladas de comida responsáveis por alimentar cerca de 85% do país, as explosões também descortinaram uma economia em declínio, redes de corrupção e infraestrutura insuficiente, apontou o think tank.

País desgovernado

Com o agravamento da crise no Líbano, o premiê Mustafá Adib renunciou ao cargo neste sábado (26), antes de completar um mês na posição. Não conseguiu sequer formar governo.

Diplomata sem brilho, com passagem pela embaixada de Berlim, na Alemanha, esperava-se que Adib fosse capaz de aglutinar as diversas forças políticas locais, de muçulmanos xiitas a cristãos maronitas, passando pelo Hezbollah.

O ex-embaixador foi conduzido ao poder depois que seu antecessor, Hassan Diab, também deixou o poder seis dias após a explosão, sob forte pressão por reformas. Agora a elite política, volta à mesa de negociação em busca quem assuma o comando do país e forme gabinete para governar.

O problema é que a divisão sectária do Estado libanês é elemento quase formativo da identidade moderna do país. Em acordo de 1943, ao fim do mandato francês, forjou-se a atual divisão de forças, criada para atender a um país dividido e que acaba por não dar maioria a ninguém.

Em meio a protestos, a população de sete milhões de habitantes tem dificuldades em acessar suas economias desde que o Banco Central estabeleceu uma taxa de câmbio fixa, de 1,5 mil libras por dólar. Com o aumento da demanda por moeda forte, os dólares estão escassos.

“Não está claro se o Líbano pode evitar tornar-se um Estado falido”, afirma a analista do think tank. Para evitar uma nova onda migratória à Europa, a antiga metrópole França tenta auxiliar o país, mas reivindica mudanças profundas junto à elite que governa o país desde a independência, nos anos 1940.

Tags: