Oriente Médio

Presidente afegão culpa ‘retirada abrupta’ dos EUA por aumento da tensão no país

Ashraf Ghani admite problemas para promover a segurança, mas promete a situação “sob controle dentro de seis meses”

Ashraf Ghani, presidente do Afeganistão, disse nesta segunda-feira (2) que o aumento da violência no país, em meio aos avanços obtidos pelo Taleban, deve-se à saída “abrupta” das tropas norte-americanas, cuja retirada será concluída no dia 11 de setembro. As informações são da agência qatari Al Jazeera. Em pronunciamento ao Parlamento local, Ghani admitiu que enfrenta problemas para promover a segurança no Afeganistão, mas prometeu que a situação “estará sob controle dentro de seis meses”.

O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, em coletiva de imprensa em, Cabul, setembro de 2017 (Foto: Divulgação/U.S. Air Force/Jette Carr)

Após o discurso do presidente, os legisladores divulgaram uma carta conjunta na qual afirmam que Ghani tem pleno apoio para a execução de seu plano de segurança. O texto fala em suporte “firme” aos direitos humanos e das mulheres e à liberdade de expressão, bem como ao Exército Nacional Afegão, “que sacrifica suas vidas pela nação”.

Em resposta, o Taleban divulgou um comunicado à imprensa chamando as declarações do presidente de “absurdas”. “Ele estava tentando controlar seu estado mental ruim e seus próprios erros”, diz o texto. “A nação decidiu processar os traidores nacionais e levá-los à justiça. Declarações de guerra, fazer acusações e fornecer informações falsas não podem prolongar a vida de Ghani. Seu tempo acabou, se Deus quiser”.

“Regime medieval”

A declaração do presidente chega no mesmo momento em que o general aposentado David Petraeus, ex-comandante das tropas dos EUA e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Afeganistão, contesta a evacuação. Segundo a agência estatal russa Sputnik, ele teria dito que a saída das tropas estrangeiras condena o país do Oriente Médio a uma “guerra civil sangrenta e brutal semelhante à dos anos 1990, quando o Taleban prevaleceu”.

“O resto do mundo verá que não estamos apoiando a democracia ou mantendo os valores que promovemos em todo o mundo – direitos humanos, particularmente os direitos das mulheres, o direito à educação e a liberdade de expressão e imprensa – todos muito imperfeitos no Afeganistão, para ser claro, mas muito melhores do que se o Taleban restabelecesse um regime islâmico medieval”, teria dito o general.

Recentemente, o Taleban assumiu o controle de Kandahar, a segunda maior cidade do país, e de rotas importantes que passam por ela. Petraeus alerta que o avanço dos jihadistas levaria a um êxodo maciço de cidadãos, que fugiriam da violência e buscariam abrigo em país vizinhos como o Paquistão. Além de possibilitar a volta da Al-Qaeda ao país.