Segurança Internacional

Al-Qaeda oferece recompensa em bitcoin por ataques a policiais ocidentais

Ameaça jihadista instrui como e onde devem acontecer os ataques e oferece até US$ 60 mil em bitcoin por oficial morto

Uma publicação veiculada pela Al-Qaeda está oferecendo bitcoin como pagamento para extremistas que assassinarem agentes das forças de segurança ocidentais. Os jihadistas oferecem a moeda virtual a quem mandar gravações ou fotografias que comprovem o assassinato, disse o jornal espanhol “La Razón”, que teve acesso aos materiais.

O anúncio teria sido veiculado na revista jihadista “Manhattan Wolves”, em dezembro e dá indicações precisas sobre como realizar os ataques. A principal recomendação é que as ofensivas ocorram durante os recentes protestos contra as medidas de restrição à Covid-19.

Países como EUA, França, Itália, Alemanha e Grã-Bretanha são os “ideais”. “Nesses lugares há a vantagem do anonimato na multidão e a possibilidade de o porte de armas passar despercebido”, diz o texto.

Extremistas ligados à Al-Qaeda passam a oferecer 'prêmios em bitcoin' por ataques
Protesto pela flexibilização das restrições à Covid-19 em Barcelona, Espanha, março de 2021 (Foto: Divulgação/Pixabay/Antonio Cansino)

Pagamento de até US$ 60 mil

Ao enviar as provas dos ataques, os chamados “lobos solitários” poderão receber até US$ 60 mil em bitcoin – cerca de R$ 330 mil – caso concedam aos líderes da Al-Qaeda a possibilidade de assumir a autoria do crime.

O artigo também instrui os simpatizantes jihadistas a incentivar outras pessoas a atacar os agentes, além de encorajar a destruição de propriedade privada “em nome de Alá”.

“Se você não pode alcançar a propriedade pública, vise a propriedade privada”, diz o texto. “Destrua carros, lojas e barracas. Lembre-se que todos os cruzados [termos para designar os policiais] estão juntos com seus governos na guerra contra o Islã“.

A polícia espanhola já reforçou as medidas de autoproteção, disse o Comando Geral do país. “A ameaça é real”, diz uma nota transmitida internamente. “Todos devem tomar medidas extremas de autoproteção e ficar alertas”.

Analistas do jornal “OK Diário”, de Madri, deram credibilidade ao reforço. “Ocorre à medida em que a Al-Qaeda tenta reconquistar a posição de referência como grupo terrorista, perdida nas últimas décadas”.

No Brasil

Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino. Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos. Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.