Coreia do Norte se refere ao sul como ‘inimigo’ e corta contatos

Pyongyang tenta pressionar o vizinho para que ceda nas sanções econômicas e reabra projetos conjuntos
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A Coreia do Norte agora encara seu vizinho do sul como “inimigo”. Cortou comunicações com Seul e deu nesta segunda (8) mais um passo na deterioração das conturbadas relações entre os dois países.

Por meio da imprensa oficialista, Pyongyang anunciou que “o trabalho em relação ao sul deve ser totalmente transformado em algo contra o inimigo”, de acordo com o jornal norte-americano “The New York Times”.

O regime comunista teria informado, não haver mais “necessidade de se sentar frente a frente com as autoridades sul-coreanas, e não há questões a serem discutidas com eles”.

Não é a primeira vez que Pyongyang paralisa contatos com o sul, apenas para retomá-los mais adiante. Segundo o jornal, norte-americano “Washington Post“, seria uma tática para aumentar a pressão pelo alívio das sanções internacionais e retomada de projetos entre as duas Coreias.

Entre os pedidos de Pyongyang está a reabertura do parque industrial de Kaesong, de administração binacional.

O presidente norte-americano Donald Trump com o ditador norte-coreano Kim Jong Un e o presidente da Coreia do Sul Moon Jae-in, em foto de 2019 (Foto: The White House)
O presidente norte-americano Donald Trump com o ditador norte-coreano Kim Jong Un e o presidente da Coreia do Sul Moon Jae-in, em foto de 2019 (Foto: The White House)

Os norte-coreanos também se queixam de balões com panfletos anti-Pyongyang lançados a partir da Coreia do Sul. Os financiadores, sobretudo grupos conservadores e de fugitivos do regime, foram classificados como “escória humana” pela imprensa oficial do norte.

A fase mais recente de hostilidades entre os dois países começou depois da última tentativa de acordo de desnuclearização, da qual os EUA tentaram participar.

As sanções sobre Pyongyang por parte da comunidade internacional não diminuíram, e o país passou a adotar postura mais combativa. 

Para o norte, interessa investir em relações bilaterais sem a interferência de Washington, de acordo com o “The New York Times”.

Há apenas dois anos, o status do relacionamento entre as Coreias era outro. O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, chegou a visitar Pyongyang e participar de um evento oficial. 

Ali, Moon e o ditador norte-coreano Kim Jong-un deram-se as mãos e aplaudiram a bandeira branca, com a península coreana em azul claro. Um portal de notícias filipino compilou os principais trechos da apresentação.

As idas e vindas das relações bilaterais são tão relevantes porque não há acordo definitivo de paz entre as duas Coreias desde o fim da guerra que dividiu a península em dois países, nos anos 1950. 

Em julho de 1953, foi assinado um armistício pelo comando das Nações Unidas, representado pelo general William K. Harrison Jr. e pelo general Nam Il, preposto dos exércitos da China e da Coreia do Norte.

O então presidente sul-coreano, Sygman Rhee, não assinou o acordo. Era partidário da ideia de que a península deveria ser unificada, mesmo que à força, e optou por não ceder.

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