Investidores da Evergrande protestam em frente ao escritório da empresa na China

Manifestantes exigem que a incorporadora imobiliária mais endividada do mundo devolva o dinheiro investido por eles
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“Devolva nosso dinheiro!”. Essa foi a principal reivindicação de um grupo de investidores em frente aos escritórios da gigante chinesa da construção civil Evergrande, na cidade de Guangzhou, na terça-feira (4). Os manifestantes se reuniram para exigir que a incorporadora imobiliária mais endividada do mundo devolva o dinheiro investido por eles, já que as vendas da empresa na China continuam a cair e há a preocupação de que o reembolso seja sacrificado para manter os projetos imobiliários ativos, informou a agência Reuters.

Há meses a empresa vem sinalizando para os compradores de imóveis, funcionários e investidores que seu problema – uma dívida de US$ 300 bilhões – está sob controle. Na semana passada, o magnata fundador da construtora até prometeu reiniciar as obras que tiveram de ser paralisadas.

Nesse cenário, na última sexta-feira (31), a Evergrande também anunciou planos para reembolsar os investidores em seus produtos de gestão de fortunas, anunciando que cada um receberia 8 mil yuans (aproximadamente US$ 1.256) por mês no pagamento do principal durante três meses a partir de janeiro, independentemente de quando o investimento vencesse.

China Evergrande Group: crise ameaça crescimento econômico da China (Foto: Wikimedia Commons)

Mais de 80 mil pessoas compraram essas ofertas nos últimos cinco anos, incluindo funcionários da Evergrande. Eles foram atraídos pela promessa de rendimentos próximos de 12% ao ano e presentes incluindo bolsas Gucci e purificadores de ar Dyson.

A empresa alega que as vendas de propriedades caíram 39% no ano passado em comparação a 2020 e que havia recebido a ordem de demolir dezenas de edifícios na província de Hainan, uma ilha tropical, devido a uma penalidade administrativa das autoridades locais, disse o jornal The New York Times. A empresa não disse por que recebeu essa penalidade ou exatamente o que faria, a não ser que “resolveria o problema de maneira adequada”.

A Evergrande se tornou um símbolo das dificuldades enfrentadas pela economia da China e seu outrora próspero setor imobiliário. Depois de expandir e tomar empréstimos a uma velocidade vertiginosa, A incorporadora alega que tem lutado para juntar o dinheiro que precisa para honrar dívidas em atraso, empréstimos pendentes e salários atrasados ​​para os trabalhadores que construíram inúmeros de seus imóveis em toda a China.

Por que isso importa?

Além da inadimplência imobiliária, a China sofre também com uma crise energética, decorrente do aumento do preço das fontes de energia globais, da escassez de carvão no país e das consequentes interrupções da produção em diversas fabricas. “A restrição de produção e a escassez de energia provavelmente continuarão pesando no crescimento do quarto trimestre”, disse recentemente uma projeção feita pelos economistas do banco suíço UBS.

Uma junção de fatores colocou a China nessa situação. Primeiro, a pressão do governo para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, com vistas à meta de atingir a neutralidade de emissões até 2060. Num país que tem quase 60% da economia dependente do carvão, a solução foi impor racionamento de energia em residências e na indústria, a fim de manter sob controle as emissões provenientes da queima de carvão.

Paralelamente, as chuvas torrenciais que atingiram o país recentemente causaram inundações na província de Xanxim, de onde sai cerca de 30% de todo o carvão consumido no país. Como resultado, o preço do produto disparou, e o governo agora se vê numa encruzilhada, forçado a suspender os limites de produção de carvão existentes por razões ambientais.

Na indústria, as grandes vítimas do racionamento são os setores que demandam mais energia elétrica, como a produção de cimento e as fundições de alumínio e aço, segundo a rede britânica BBC. Num caso extremo, uma fábrica têxtil da província de Jiangsu cortou totalmente a energia num período entre setembro e outubro. Com isso, cerca de 500 trabalhadores tiveram que deixar seus postos e receberam um mês de folga remunerada.

Diferente da crise imobiliária, a energética pode, sim, gerar reflexos relevantes para a economia mundial. Isso porque a cadeia de produção global se habituou com os baixos preços dos produtos oferecidos pela China. Se a escassez de energia levar a uma queda brusca de produção na indústria chinesa, o fornecimento diminuiria e teríamos uma tendência de aumento de preços, com impacto inflacionário relevante no mundo todo.

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