Sul da Ásia lança projetos para enfrentar calor extremo que já provoca 200 mil mortes por ano

Iniciativas financiadas pela Fundação Rockefeller e Wellcome buscam reforçar alertas precoces, pesquisa científica e integração entre clima e saúde pública na região mais vulnerável ao aquecimento global

O sul da Ásia está no centro da crise climática global. Com temperaturas que ultrapassam 50°C antes da monção e mais de 200 mil mortes anuais relacionadas ao calor, dois novos projetos foram lançados para enfrentar o avanço do calor extremo no sul da Ásia. As informações são da Forbes.

As iniciativas são financiadas pela Fundação Rockefeller e pela organização filantrópica Wellcome e têm como foco fortalecer a capacidade regional de prever, monitorar e responder aos impactos do clima na saúde pública.

(Foto: WikiCommons)
Integração entre clima e saúde pública

O primeiro projeto, o South Asia Climate-Health Desk, foi criado no âmbito do programa conjunto da Organização Meteorológica Mundial com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A proposta é aproximar instituições meteorológicas e autoridades de saúde para desenvolver sistemas de alerta precoce e avaliações de risco mais eficientes. A meta é permitir que governos e comunidades reajam antes que ondas de calor extremas provoquem colapsos hospitalares, surtos de doenças e aumento da mortalidade.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, a Ásia está aquecendo quase duas vezes mais rápido que a média global, um dado que reforça a urgência de políticas integradas para enfrentar o calor extremo no sul da Ásia.

Pesquisa científica e novos limites de risco

O segundo projeto é o Consórcio de Pesquisa Científica do Sul da Ásia, voltado a aprofundar o conhecimento sobre os impactos do calor em diferentes grupos populacionais.

O objetivo é desenvolver limiares personalizados de risco térmico, considerando fatores como idade, condição socioeconômica e tipo de trabalho, especialmente em uma região onde milhões de pessoas dependem de atividades ao ar livre.

Um estudo recente da Universidade de Oxford alerta que, se a temperatura média global subir 2°C acima dos níveis pré-industriais nas próximas décadas, metade da população mundial poderá viver sob condições de calor extremo até 2050.

Impacto econômico bilionário

Além da crise sanitária, o calor extremo no sul da Ásia já compromete a economia. Em 2024, a Índia perdeu 247 bilhões de horas potenciais de trabalho devido à exposição ao calor, gerando prejuízo estimado em US$ 194 bilhões, segundo o Lancet Countdown.

O fenômeno afeta principalmente trabalhadores informais, agricultores, operários da construção civil e populações com menos acesso a infraestrutura de resfriamento.

A vice-presidente de saúde da Fundação Rockefeller, Manisha Bhinge, afirmou que o sul da Ásia está na “linha de frente da crise do calor” e que a região enfrenta ondas cada vez mais longas e intensas, que testam os limites fisiológicos do corpo humano.

Aumento exponencial dos dias de calor extremo

De acordo com projeções apresentadas por Bhinge, algumas áreas do sul da Ásia podem registrar aumento de quase oito vezes no número de dias de calor extremo por ano nas próximas décadas.

Temperaturas mais altas durante o dia e a noite, combinadas com períodos prolongados de calor, exigem maior esforço do organismo para manter funções vitais, elevando o risco de doenças cardiovasculares, desidratação e complicações em gestantes, crianças e idosos.

Pressão internacional por ação climática

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, tem defendido uma resposta global urgente diante da escalada das ondas de calor extremo.

Em novembro, uma coalizão internacional com mais de 30 cidades assumiu compromisso de adotar medidas estruturais para reduzir os impactos das altas temperaturas.

Durante a Semana do Clima de Mumbai, a Aliança Global de Energia para as Pessoas e o Planeta também lançou a plataforma India Grids of the Future Accelerator, destinada a modernizar a rede elétrica indiana, integrar energias renováveis e preparar o país para o crescimento da demanda energética.

Por que o calor extremo no sul da Ásia é prioridade global

O sul da Ásia concentra algumas das regiões mais densamente povoadas do planeta, com grandes contingentes populacionais vivendo em áreas urbanas vulneráveis e com infraestrutura limitada.

O avanço do aquecimento global, aliado à urbanização acelerada e à desigualdade social, transforma o calor extremo no sul da Ásia em um dos maiores desafios climáticos e sanitários do século.

Especialistas defendem que a integração entre ciência climática, políticas públicas e sistemas de saúde será decisiva para reduzir mortes, preservar a produtividade e evitar uma crise humanitária ainda maior nas próximas décadas.

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