“Nós estamos vendo”: Reino Unido mobiliza forças após presença de submarinos russos perto de cabos estratégicos

Governo britânico afirma ter monitorado por semanas a presença de embarcações russas próximas ao território e diz que não houve danos à infraestrutura crítica

O Reino Unido afirmou ter mobilizado forças militares para impedir possíveis ataques de submarinos russos contra cabos submarinos e oleodutos em áreas estratégicas próximas ao país. Segundo o secretário de Defesa, John Healey, embarcações russas permaneceram por mais de um mês na região no início de 2026, sendo monitoradas por forças britânicas e aliados. As informações são da Reuters.

De acordo com o governo britânico, a operação russa teria ocorrido no chamado Alto Norte, área considerada estratégica por concentrar rotas marítimas e infraestrutura crítica, como cabos de telecomunicações e energia. Londres acusa Moscou de tentar aproveitar a atenção internacional voltada ao Oriente Médio para conduzir uma ação discreta na região.

John Healey (Foto: WikiCommons)

Healey afirmou que forças do Reino Unido, com apoio da Noruega, acompanharam os movimentos e impediram atividades consideradas suspeitas. Segundo ele, os submarinos já deixaram a área e não há indícios de danos à infraestrutura subaquática.

Durante coletiva, o ministro enviou um recado direto ao presidente russo, Vladimir Putin, afirmando que qualquer tentativa de sabotagem não será tolerada. Ele também destacou que a operação foi tornada pública como forma de demonstrar que as ações russas estavam sendo monitoradas.

“Ao presidente Putin, eu digo: ‘Nós o vemos’”, afirmou.

A operação, segundo o governo britânico, envolveu um submarino de ataque da classe Akula e outras embarcações especializadas em operações em águas profundas. Essas estruturas, de acordo com autoridades, são capazes de monitorar cabos submarinos em tempos de paz e atuar em sabotagens em cenários de conflito.

Para acompanhar a movimentação, o Reino Unido mobilizou uma fragata, um navio de apoio logístico e aeronaves de patrulha marítima. A Noruega também participou com aeronaves e navios. Apesar da presença prolongada, os submarinos não chegaram a entrar em águas territoriais britânicas, permanecendo na Zona Econômica Exclusiva e em áreas próximas a países aliados.

A embaixada da Rússia em Londres não comentou o caso. Moscou já negou anteriormente qualquer envolvimento em incidentes que danificaram cabos submarinos na Europa.

O episódio ocorre em meio ao aumento da vigilância no Atlântico Norte e no Mar Báltico, após registros de danos a infraestruturas críticas desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. A maioria dos casos foi atribuída a embarcações civis, mas governos europeus mantêm atenção redobrada diante de possíveis ameaças híbridas.

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