Cuba vive hoje um dos momentos mais críticos de sua história recente. Dez anos depois da reaproximação diplomática iniciada por Barack Obama, o país mergulhou em uma crise econômica profunda, marcada por escassez de combustível, colapso de serviços básicos e uma onda migratória sem precedentes. As informações são do Los Angeles Times.
O cenário atual é resultado de uma combinação de fatores internos e externos, mas ganhou força após o endurecimento das sanções impostas por Donald Trump. De volta ao poder, Trump intensificou a política de “pressão máxima” contra Havana, incluindo um bloqueio quase total às exportações de petróleo, afetando diretamente o funcionamento da economia cubana.

O impacto é visível nas ruas de Havana. Com a escassez de combustível, o transporte público praticamente desapareceu, táxis sumiram e longas filas se tornaram rotina para itens básicos, como pão e medicamentos. Apagões frequentes deixaram bairros inteiros no escuro, evidenciando o colapso da infraestrutura energética.
O turismo, que já foi um dos pilares da economia local, entrou em queda acentuada. Após o fim do período de abertura iniciado por Obama, quando visitantes estrangeiros voltaram em massa à ilha, o setor sofreu com restrições de viagem, pandemia e, agora, a falta de combustível para aviação. Companhias aéreas internacionais passaram a suspender voos, agravando o isolamento.
Os efeitos sociais são igualmente dramáticos. Estima-se que mais de um milhão de cubanos tenham deixado o país nos últimos anos, em busca de melhores condições de vida. A saída em massa impacta diretamente a força de trabalho e acelera o envelhecimento da população, enquanto a taxa de natalidade despenca.
Para muitos jovens, o futuro fora da ilha parece ser a única alternativa. Profissionais qualificados enfrentam falta de oportunidades, baixos salários e serviços públicos sobrecarregados. Hospitais operam com escassez de insumos básicos, e pacientes aguardam meses, até anos, por cirurgias.
A responsabilidade pela crise divide opiniões. Críticos do governo cubano apontam falhas estruturais, como a falta de modernização econômica e dependência estatal. Já outros destacam o peso das sanções americanas, que dificultam o acesso a mercados internacionais, crédito e investimentos.
O governo dos Estados Unidos, por sua vez, mantém o discurso de que a pressão econômica visa forçar mudanças políticas no país, incluindo o enfraquecimento da liderança de Miguel Díaz-Canel. A estratégia, no entanto, é alvo de críticas internacionais, que a classificam como uma forma de punição coletiva à população cubana.
Enquanto isso, o cotidiano da ilha segue marcado pela adaptação. Famílias recorrem ao mercado informal para sobreviver, cozinham com carvão diante da falta de gás e convivem com a incerteza constante. A sensação predominante, segundo relatos locais, é de estagnação e perda de perspectiva.
O contraste com 2016 é inevitável. Naquele ano, a visita de Obama simbolizou uma possível reintegração de Cuba ao cenário global. Eventos históricos, como o show dos Rolling Stones em Havana, marcaram um período de abertura cultural e econômica.