As Forças de Defesa de Israel (IDF, da sigla em inglês) passaram a utilizar redes de pesca como proteção improvisada contra drones FPV do Hezbollah no sul do Líbano. A medida, que inclui a compra direta de redes em cidades pesqueiras israelenses, evidencia a crescente dificuldade das tropas diante do avanço tecnológico das aeronaves kamikaze utilizadas pelo grupo apoiado pelo Irã.
Segundo informações divulgadas pelo site especializado The War Zone (TWZ), militares israelenses estão adquirindo redes de pescadores em cidades como Tiberíades, Acre e Haifa para instalar em veículos e posições militares. O objetivo é impedir que drones FPV, controlados remotamente e carregados com explosivos, atinjam tropas e blindados.

O uso de redes como defesa improvisada já havia sido observado na guerra da Ucrânia, onde drones FPV se tornaram uma das principais armas do conflito. A estratégia busca fazer com que os drones fiquem presos nas barreiras ou detonem antes de atingir diretamente soldados e equipamentos.
De acordo com um alto oficial das IDF ouvido pelo TWZ, a ameaça dos drones “se tornou um pesadelo para os combatentes em terra”. O militar afirmou ainda que o Hezbollah ampliou recentemente o uso de drones guiados por fibra óptica, tecnologia que reduz a eficácia dos sistemas de guerra eletrônica usados para bloquear sinais de rádio.
Além disso, o grupo libanês passou a equipar os drones com câmeras térmicas, permitindo operações noturnas e dificultando ainda mais a movimentação das tropas israelenses.
“Os movimentos das forças ficam severamente limitados tanto de dia quanto à noite”, afirmou o oficial israelense. Segundo ele, a combinação de controle por fibra óptica e sensores térmicos cria “um nível extraordinário de dissuasão” contra operações terrestres no sul do Líbano.
O avanço da ameaça obrigou Israel a acelerar medidas defensivas. Segundo a emissora israelense I24, cerca de 158 mil metros quadrados de redes de proteção já foram distribuídos para unidades militares. O Exército também estaria adquirindo mais materiais, em uma área equivalente a aproximadamente 20 campos de futebol.
Apesar disso, militares seguem buscando soluções improvisadas por conta própria. O caso reforça uma tendência observada em conflitos recentes: o impacto crescente dos drones baratos e de difícil interceptação sobre exércitos tradicionais.
Especialistas militares apontam que os drones FPV transformaram a dinâmica do combate moderno ao permitir ataques precisos com baixo custo operacional. A guerra na Ucrânia acelerou o desenvolvimento dessas táticas, agora replicadas em outras regiões de conflito, como a fronteira entre Israel e Líbano.
O aumento da pressão militar na região ocorre em meio à escalada das tensões entre Israel e Hezbollah, mesmo após tentativas de cessar-fogo. Autoridades israelenses admitem que a atual doutrina operacional precisa ser adaptada para enfrentar uma guerra cada vez mais dominada por drones e tecnologias de vigilância aérea.