Ex-general de Assad se declara inocente em julgamento por tortura na Áustria

Khaled al-Halabi, ex-brigadeiro-general da Síria, nega envolvimento em torturas contra opositores do regime de Bashar al-Assad; julgamento em Viena pode resultar em pena de até 10 anos de prisão

Um ex-general do governo do presidente deposto Bashar al-Assad declarou-se inocente das acusações de tortura durante a abertura de seu julgamento na Áustria. O caso é considerado mais um marco nos esforços internacionais para responsabilizar integrantes do antigo regime sírio por crimes cometidos durante a guerra civil. As informações são da Al Jazeera.

Khaled al-Halabi, de 63 anos, ex-brigadeiro-general e ex-oficial de inteligência da Síria, compareceu nesta segunda-feira (1º) ao Tribunal Regional de Viena. Ele responde ao processo ao lado do ex-chefe de polícia Musab Abu Rukbah, de 54 anos. Ambos são acusados de tortura agravada, coerção, coerção sexual e lesão corporal grave.

Segundo a acusação, os supostos crimes ocorreram entre abril de 2011 e março de 2013 na cidade de Raqqa, durante os primeiros anos da revolta popular contra o regime de Assad. Os promotores austríacos afirmam que os réus ordenaram ou permitiram abusos contra participantes do movimento de protesto que se espalhou pelo país naquele período.

Criança atingida por bombardeios mostra local onde morava em Homs, na Síria, em fevereiro de 2020 (Foto: Unicef/Abdulaziz Al-Droubi)

Durante a audiência, Halabi negou todas as acusações. Por meio de um intérprete, afirmou que não recebeu ordens do governo sírio para empregar violência e sustentou que sua unidade apenas registrava informações dos detidos, sem realizar interrogatórios ou atos de tortura.

A acusação, entretanto, sustenta que a violência era aplicada de forma sistemática, seguindo métodos padronizados de tortura, incluindo espancamentos e outros maus-tratos. Os procuradores afirmam que ao menos 21 pessoas foram vítimas de abusos durante a repressão aos protestos civis.

Halabi deixou Raqqa em 2013, pouco antes da cidade ser tomada pelo grupo Estado Islâmico (EI). Em 2015, ele e Abu Rukbah solicitaram asilo na Áustria, país onde residem atualmente. Por esse motivo, a Justiça austríaca assumiu a competência para julgar o caso.

As investigações ganharam força após informações fornecidas em 2016 pela Comissão para a Justiça e a Responsabilização Internacional (CIJA), organização que reúne provas relacionadas a suspeitos de crimes de guerra e violações de direitos humanos.

O julgamento deve prosseguir até o final de junho. Testemunhas e supostas vítimas que vivem na Síria e em países europeus são esperadas para prestar depoimento nas próximas semanas.

O processo se soma a outras ações judiciais realizadas na Europa contra ex-integrantes do regime sírio. Nos últimos anos, tribunais da Alemanha, França e Suécia também julgaram casos relacionados a torturas, desaparecimentos forçados e violações de direitos humanos ocorridas durante a guerra civil da Síria.

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