Rússia enfrenta racionamento de combustível após ataques a refinarias; Postos limitam abastecimento

Restrições na venda de gasolina e diesel já atingem Moscou, São Petersburgo, Crimeia e outras regiões, enquanto autoridades russas tentam evitar desabastecimento e alta nos preços

A Rússia começou a enfrentar restrições na venda de combustíveis em diversas regiões do país após meses de ataques ucranianos contra refinarias e terminais de petróleo. Postos de gasolina em Moscou, São Petersburgo, Crimeia e outras localidades passaram a impor limites de abastecimento, em uma tentativa de controlar a oferta e evitar uma crise mais ampla no mercado interno. As informações são do The Moscow Times.

Segundo veículos de imprensa russos, postos das redes Lukoil, Gazprom, ORTK e General Fueller implementaram restrições que variam entre 20 e 150 litros por motorista. Em alguns locais, as medidas foram justificadas por interrupções na cadeia de abastecimento, enquanto em outros casos autoridades afirmam que se tratam de ações preventivas para garantir o fornecimento.

Posto de gasolina da Lukoil em Moscou (Foto: WikiCommons)

Em Moscou e região metropolitana, motoristas passaram a encontrar limites de compra em diversos postos. Já em São Petersburgo, relatos apontam restrições entre 50 e 95 litros por pessoa. Na República da Carélia, no norte do país, o abastecimento também foi limitado, enquanto condutores relataram filas em postos de combustíveis próximos à região de Murmansk.

A situação é considerada ainda mais delicada na Crimeia, território anexado pela Rússia em 2014. Autoridades locais implementaram sistemas de vouchers e limites rígidos de abastecimento para enfrentar a escassez. Uma das maiores redes de postos da península chegou a suspender temporariamente a distribuição dos vouchers devido à elevada demanda.

Os impactos também começam a aparecer nos preços. Em Kaliningrado, enclave russo localizado entre a Polônia e a Lituânia, o valor da gasolina aumentou quase 4 rublos por litro nos últimos dois meses. Em outras regiões, os reajustes foram menores, mas especialistas alertam para a possibilidade de novas altas caso os problemas de abastecimento persistam.

Ataques afetam produção de combustíveis

A pressão sobre o setor energético russo aumentou nos últimos meses com a intensificação dos ataques ucranianos contra instalações ligadas à indústria do petróleo. O objetivo de Kiev é reduzir a capacidade de refino e diminuir as receitas obtidas por Moscou com a exportação de combustíveis.

Dados citados pela agência Reuters indicam que os ataques atingiram instalações responsáveis por cerca de 25% da capacidade de refino da Rússia e mais de 30% da produção nacional de gasolina. Os danos obrigaram algumas refinarias a interromper ou reduzir suas operações, provocando impactos na distribuição interna.

Diante do cenário, autoridades russas discutem medidas adicionais para proteger a infraestrutura energética. Entre as propostas está o aumento dos preços da gasolina, do diesel e do querosene de aviação para financiar sistemas de defesa antiaérea voltados à proteção das refinarias.

Governo tenta evitar crise nacional

Apesar dos relatos de racionamento, o Kremlin afirma que não existe risco imediato de desabastecimento em escala nacional. O Ministério da Energia da Rússia sustenta que o fornecimento ao mercado interno permanece estável e sob controle.

Como medida preventiva, o governo mantém até 31 de julho a proibição das exportações de gasolina. A decisão busca garantir o abastecimento doméstico e impedir uma escalada nos preços em meio às dificuldades enfrentadas pelo setor energético.

Especialistas avaliam que a evolução do conflito entre Rússia e Ucrânia continuará sendo um fator decisivo para o mercado de combustíveis do país. Caso os ataques às refinarias persistam, as restrições de abastecimento poderão ser ampliadas para outras regiões russas nos próximos meses.

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