Os confrontos entre rebeldes curdos e a Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) ganharam intensidade nos últimos dias e aumentaram a tensão na região oeste do país. Os episódios ocorreram principalmente nas províncias de Kermanshah, Curdistão e Azerbaijão Ocidental, áreas de maioria curda próximas à fronteira com o Iraque. As informações são do The Jerusalem Post.
Segundo a agência iraniana Tasnim, ligada à IRGC, dois integrantes da Guarda Revolucionária morreram e outros dois ficaram feridos em um ataque armado na cidade de Paveh, na província de Kermanshah. Em outro incidente, homens armados atacaram um posto policial em Baneh, matando dois policiais e ferindo outras três pessoas, incluindo uma criança de três anos.

Região montanhosa concentra os confrontos
Os combates se espalham por cidades como Paveh, Marivan, Mahabad e Baneh. Apesar de estarem separadas por centenas de quilômetros, todas ficam na faixa montanhosa do oeste iraniano, tradicionalmente habitada por curdos.
O portal Rojhelat.Info, especializado em assuntos curdos, afirmou que novos ataques contra posições militares iranianas foram registrados na região de Doli Mirawa, em Paveh. O site também relatou baixas entre integrantes da Guarda Revolucionária.
Quem são os grupos envolvidos?
As informações indicam que as Unidades de Defesa do Curdistão Oriental (YRK) participaram dos confrontos contra a IRGC. O grupo é considerado o braço armado do Partido da Vida Livre do Curdistão (PJAK), organização curda de orientação esquerdista frequentemente associada ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão.
A Turquia classifica o PKK como organização terrorista e acompanha com preocupação qualquer fortalecimento do PJAK no Irã, temendo reflexos sobre a questão curda em território turco.
Coalizão da oposição curda ganha força
O PJAK integra uma coalizão formada por sete grupos de oposição curda iraniana criada no fim de 2025 para apoiar protestos e pressionar o governo de Teerã. Nos últimos meses, partidos tradicionalmente rivais passaram a discutir ações conjuntas contra o regime.
Entre os grupos envolvidos estão o PDKI, o PAK, o Khabat e diferentes facções do Komala.
Irã intensifica pressão sobre grupos curdos
Analistas apontam que o governo iraniano vem aumentando a pressão militar sobre organizações curdas sediadas na região autônoma do Curdistão iraquiano. O objetivo seria impedir que a oposição armada ganhe força em meio ao cenário regional de instabilidade.
Até recentemente, o PJAK mantinha participação limitada nos confrontos envolvendo o Irã. Os episódios registrados em Mahabad, Marivan e Paveh, porém, sugerem uma mudança de postura do grupo.
O aumento dos confrontos entre rebeldes curdos e a Guarda Revolucionária Islâmica coloca novamente em debate a possibilidade de uma nova insurgência no oeste do Irã. A sequência de ataques em diferentes províncias indica uma escalada militar que pode ampliar a instabilidade na fronteira entre Irã e Iraque nas próximas semanas.