Dieta saudável segue inacessível para 2,69 bilhões de pessoas, alerta ONU

Relatório de cinco agências das Nações Unidas aponta que uma em cada três pessoas no mundo não tem condições de manter uma alimentação saudável, apesar da redução da fome global pelo terceiro ano consecutivo

A fome global apresentou uma nova queda em 2025, mas o acesso a uma alimentação saudável continua fora do alcance de bilhões de pessoas. É o que mostra o relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2026, elaborado por cinco agências da Organização das Nações Unidas (ONU). As informações são do The Guardian.

Segundo o documento, 2,69 bilhões de pessoas — cerca de uma em cada três no planeta — não têm condições financeiras de manter uma dieta capaz de atender às necessidades energéticas e nutricionais básicas. O levantamento destaca que, embora o número de pessoas em situação de fome tenha diminuído pelo terceiro ano consecutivo, os avanços ainda são insuficientes para atingir a meta global de erradicar a fome até 2030.

Ashley Mailey Bravo Vasquéz, 6 anos de idade, da Guatemala (Foto: Unicef)

De acordo com o relatório, a fome atingiu 7,8% da população mundial em 2025, abaixo dos 8,1% registrados no ano anterior. Também surgiram sinais de desaceleração da tendência de crescimento da fome observada nos últimos anos em países africanos.

O economista-chefe da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Maximo Torero, afirmou que o custo de uma dieta saudável continua sendo um dos principais obstáculos. Segundo os cálculos apresentados no estudo, uma alimentação adequada custa, em média, o equivalente a US$ 4,28 por dia em paridade do poder de compra.

“O custo de uma dieta saudável permanece significativamente acima da linha internacional de pobreza extrema”, afirmou Torero.

O especialista destacou que muitos governos concentram subsídios em cereais e alimentos ricos em amido, garantindo o consumo de calorias, mas não necessariamente uma alimentação equilibrada. Para ele, ampliar o acesso a frutas, verduras, laticínios e proteínas é essencial para melhorar a qualidade nutricional da população.

O relatório também chama atenção para o crescimento da obesidade. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a taxa global de obesidade entre adultos aumentou de 12,1% em 2012 para 16,2% em 2024. Segundo os autores, a combinação entre alimentos saudáveis caros e produtos ultraprocessados mais acessíveis contribui para o avanço do problema.

Na avaliação da ONU, investimentos em infraestrutura, pesquisa e modernização das cadeias de abastecimento poderiam reduzir os custos de alimentos mais nutritivos. O estudo aponta que melhorias logísticas têm potencial para tornar frutas, verduras, carnes e laticínios mais acessíveis à população.

A situação mais preocupante continua sendo observada na África. Em 2025, 66,6% da população do continente não tinha condições de manter uma alimentação saudável. Pela primeira vez, a África passou a concentrar o maior número absoluto de pessoas em situação de fome no mundo, com cerca de 309 milhões, superando a Ásia, que registrou 292 milhões.

Os autores do relatório alertam que conflitos armados, mudanças climáticas, instabilidade econômica e a redução da ajuda internacional ao desenvolvimento continuam ameaçando os avanços conquistados nos últimos anos. Para a ONU, acelerar políticas de acesso a alimentos nutritivos será fundamental para evitar que bilhões de pessoas permaneçam excluídas de uma alimentação adequada.

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