Rússia restringe voos sobre Moscou após aumento de ataques de drones ucranianos

Medidas adotadas pela autoridade de aviação civil reduzem a altitude máxima permitida e proíbem voos de trânsito, elevando custos operacionais e tempo de viagem das companhias aérea

A Rússia impôs novas restrições ao tráfego aéreo sobre Moscou em meio ao aumento dos ataques de drones ucranianos. A Agência Federal de Transporte Aéreo da Rússia (Rosaviatsia) reduziu a altitude máxima permitida para voos na região da capital e proibiu voos de trânsito pela área controlada pelos principais aeroportos da cidade. As informações são do site investigativo Meduza.

A decisão afeta a Área de Controle Terminal de Moscou, que engloba os aeroportos de Sheremetyevo, Vnukovo e Domodedovo. As restrições se aplicam a aeronaves civis, experimentais e estatais, incluindo companhias aéreas russas e estrangeiras.

Segundo o jornal russo Kommersant, a altitude máxima para voos sobre a região foi reduzida para 4.900 metros. As medidas permanecerão em vigor pelo menos até 26 de agosto, embora fontes do setor acreditem que possam ser prorrogadas.

Aeronave Il-96-300 da Aeroflot no Aeroporto Internacional de Sheremetyevo, em Moscou (Foto: Alexander Babashov/Flickr)
Por que a Rússia restringiu voos sobre Moscou?

De acordo com informações divulgadas pela Rosaviatsia, as restrições foram adotadas para garantir a segurança operacional da aviação. No entanto, fontes ouvidas pelo Kommersant afirmam que a iniciativa partiu do Ministério da Defesa da Rússia, que busca reduzir riscos após a intensificação dos ataques de drones ucranianos desde a primavera.

Nos últimos meses, Moscou e outras regiões russas passaram a registrar com maior frequência incursões de drones lançados pela Ucrânia. Os episódios têm provocado interrupções temporárias em aeroportos e mudanças na gestão do espaço aéreo.

Impactos para companhias aéreas e passageiros

Especialistas do setor avaliam que as novas restrições terão efeitos diretos sobre as operações aéreas na região de Moscou. Com a redução da altitude permitida para os voos, as aeronaves deverão consumir mais combustível e enfrentar trajetos ligeiramente mais longos, acrescentando entre cinco e 15 minutos a diversas rotas. Os desvios necessários para contornar a área restrita também podem aumentar o tempo de viagem em pelo menos 20 a 30 minutos.

Além disso, a menor altitude operacional eleva o risco de colisões com aves, enquanto a proibição de voos de trânsito deve reduzir significativamente o volume de tráfego aéreo que passa pela região da capital russa.

Apesar dos impactos, representantes das companhias aéreas afirmam que as medidas são menos severas do que os fechamentos totais do espaço aéreo impostos durante o chamado modo “Tapete”, protocolo acionado quando ataques de drones representam uma ameaça à segurança dos voos. Nesses casos, as interrupções costumam gerar custos e transtornos muito maiores para o setor.

Restrições podem durar até o fim da guerra

Analistas consultados pela imprensa russa acreditam que as restrições ao tráfego aéreo em Moscou dificilmente serão suspensas antes do término da guerra entre Rússia e Ucrânia. Há ainda a possibilidade de medidas semelhantes serem implementadas em outras regiões do país.

Em junho, a Rosaviatsia já havia proibido voos de aeronaves leves, ultraleves e drones civis em altitudes de até 5.200 metros em diversas áreas da Rússia central. A restrição segue válida por tempo indeterminado.

À medida que a guerra continua a influenciar a segurança interna russa, o espaço aéreo do país passa a sofrer mudanças cada vez mais frequentes, afetando companhias aéreas, passageiros e a logística do transporte aéreo.

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