África

Campanha russa por libertação de político envolveu até Charlie Sheen

Campanha inusitada tenta libertar Maxim Shugaley, consultor russo com ligações suspeitas, preso na Líbia em 2019

A prisão do consultor político russo Maxim Shugaley na Líbia, em junho de 2019, despertou uma inusitada campanha movida pela Rússia para a sua libertação.

O movimento vai desde a instalação de manifestações de uma mulher só em frente à Embaixada da Líbia em Moscou até propagandas com atores como Charlie Sheen, famoso pela série de comédia “Dois Homens e Meio”.

A promoção de um torneio de MMA (artes marciais mistas), dois filmes, uma peça publicitária no jornal norte-americano “The Washington Post”, e até a eleições de Shugaley para um conselho local na Rússia – mesmo preso – são armas utilizadas para alertar sobre a sua prisão.

Trecho dos filmes produzidos pela Rússia para a campanha de libertação de Maxim Shugaley, disponível online (Foto: Reprodução/Shugaley)

Ainda não está claro o motivo para a campanha, segundo análise da revista norte-americana “Foreign Policy“. Shugaley é um agente político veterano, que já trabalhou em operações de influência russa na África.

Ele foi preso com seu intérprete enquanto faziam pesquisas sociológicas para a Fundação para Proteção de Valores Nacionais, com sede em Moscou.

Uma hipótese seria “derrotar” o Governo de Acordo Nacional da Líbia, apoiado pela ONU (Organização das Nações Unidas). Enquanto apoiadora e fornecedora de mercenários ao general renegado Khalifa Haftar, a Rússia pode tentar estabelecer uma posição para comunidade exterior.

“Para a Rússia, não existe uma ruptura direta de guerra e paz, forma como pensamos no Ocidente”, disse a pesquisadora do Instituto e Washington, Anna Borshchevskaya. “É um continuum“.

Preso eleito

Mesmo preso desde junho de 2019, Shugaley foi eleito para o parlamento regional de Komi, no noroeste da Rússia. O responsável por sua eleição, segundo a agência Meduza, seria Yevgeny Prigozhin.

Prigozhin seria um dos donos da Wagner Group, empresa privada que forneceria mercenários às forças de Haftar. O homem também foi apontado como o dono do navio que explodiu no porto de Beirute, no Líbano, em agosto.

Um possível objetivo pode ser a esperança de que a eleição ajude a garantir a sua libertação, disse Emadeddin Badi, membro sênior do Conselho do Atlântico.

Ao convertê-lo em um “político”, Prigozhin poderia maximizar seus vínculos com Vladimir Putin e ter acesso direto à Turquia. “A libertação seria parte de um processo mais amplo em termos políticos e militares”, completou Badi.

Os vídeos de Sheen já foram removidos do Youtube. Há, no entanto, dois filmes disponíveis para o público gratuitamente no Google.