Coalizão militar africana anuncia a rendição de dezenas de seguidores do Boko Haram

Forças de Camarões e do Níger dizem ter recebido combatentes do grupo extremista, mulheres e crianças que se renderam voluntariamente

Um destacamento militar formado por membros das Forças Armadas do Níger e de Camarões anunciou na terça-feira (9) que dezenas de seguidores do grupo extremista Boko Haram se entregaram às autoridades dos dois países durante uma operação antiterrorismo conjunta realizada no início de julho.

Os combatentes que atuaram na campanha integram a Força-Tarefa Conjunta Multinacional (MNJTF, na sigla em inglês), que reúne soldados de cinco nações africanas. Segundo o grupo, “69 terroristas do Boko Haram e suas famílias se rendem em Camarões e no Níger”, parte da Operação Lake Sanity 2 de combate ao extremismo islâmico na África.

Militares da Força-Tarefa Conjunta Multinacional, uma coalizão militar africana (Foto: Facebook/HQmnjtf)

Estabelecida em 1994, a MNJTF conta ainda com tropas de Chade, Nigéria e Benin. Idealizada pelo governo nigeriano, inicialmente combatia grupos armados sem vínculo ideológico na região da Bacia do Lago Chade, mas com o tempo passou a se concentrar no enfrentamento ao Boko Haram, uma facção terrorista ligada à Al-Qaeda.

A coalizão diz que atualmente conta com cerca de dez mil combatentes, cuja meta é “criar um ambiente seguro e protegido nas áreas afetadas pelas atividades do Boko Haram e outros grupos terroristas.”

A mais recente etapa da Operação Lake Sanity 2 foi realizada entre os dias 1º e 6 de julho e levou à rendição não apenas de homens que lutavam pela facção, mas também de mulheres e crianças que os acompanhavam. Outras 12 pessoas que estavam em poder do Boko Haram, cinco mulheres e sete crianças, foram resgatadas.

Um dos extremistas foi identificado como Tijjani Muhammad, de 24 anos, que se rendeu portando um rifle AK-47, quatro carregadores e bastante munição de 7,62 milímetros. Ele afirmou que escapou de um campo do Boko Haram em Soroa, na Líbia, disposto a se render às autoridades africanas.

“O número crescente de rendições enfraquece significativamente a capacidade operacional do Boko Haram e mina o moral dos combatentes restantes”, diz comunicado publicado pela MNJTF em seu site oficial. “Outros terroristas são fortemente encorajados a aproveitar a oportunidade para depor as armas e se render às autoridades, a fim de estabelecer uma paz duradoura na região da Bacia do Lago Chade”

Por que isso importa?

Os terroristas do Boko Haram lutam para criar um califado islâmico no nordeste da Nigéria. A ação já se espalhou para países vizinhos como Camarões, Chade, Níger e Benin, com assassinatos regulares, queima de mesquitas, igrejas, mercados e escolas e ataques a instalações militares.

Ultimamente, porém, o grupo passou a colecionar derrotas. Em junho de 2021, militantes do Boko Haram gravaram um vídeo no qual confirmaram a morte de Abubakar Shekau, seu notório ex-comandante.

Shekau morreu no dia 19 de maio daquele ano, em um confronto com jihadistas do rival Estado Islâmico da Província do Oeste da África (ISWAP) na floresta de Sambisa. “Shekau detonou uma bomba e se matou”, disse um militar nigeriano à época, em áudio ouvido pelo Wall Street Journal.

Formado por dissidentes do Boko Haram, o ISWAP se afastou de Shekau em 2016 e passou a se concentrar em alvos militares e ataques de alto perfil, inclusive trabalhadores humanitários. Depois da morte de Shekau, informações sugerem que houve uma aproximação entre os dois grupos, algo jamais confirmado oficialmente.

A insurgência islâmica na região já matou dezenas de milhares de pessoas, principalmente na Nigéria, e deslocou cerca de três milhões, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas).

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