África

Exército da Nigéria anuncia a prisão de um importante membro do Boko Haram

Ação dos militares também levou à apreensão de material usado para fabricar explosivos improvisados e à detenção de um segundo terrorista

As forças armadas da Nigéria anunciaram na quinta-feira (9) a prisão de Yawi Modu, figura proeminente do grupo extremista Boko Haram. A detenção teria ocorrido no Estado de Borno, onde se concentram as atividades da facção jihadista, informou a agência Associated Press.

Segundo o porta-voz do exército Onyema Nwachukwu, a ação também levou à apreensão de material usado para fabricar explosivos improvisados, que estavam armazenados em três locais diferentes, dois deles em Borno, o outro em uma região vizinha. Um segundo terrorista foi preso na ação, mas a identidade não foi informada.

Integrantes do Boko Haram em vídeo divulgado na internet em dezembro de 2017 (Foto: Reprodução/Youtube)

Nwachukwu disse que o material apreendido é um fertilizante proibido no país justamente por ser usado na fabricação de explosivos. Ainda segundo o porta-voz, o grupo tem acumulado derrotas frente ao exército, e o “esgotamento óbvio” leva o Boko Haram a “adquirir desesperadamente materiais IED (dispositivo explosivo improvisado, da sigla em inglês) para espalhar o terror entre civis inocentes”.

Na semana passada, as forças de segurança nigerianas afirmaram que cerca de seis mil membros do Boko Haram se renderam na região nordeste do país, naquela que é considerada uma das maiores deserções desde que a insurgência jihadista começou noa Nigéria, há 12 anos.

Por que isso importa?

Terroristas do Boko Haram lutam para criar um califado islâmico no nordeste nigeriano. A ação já se espalhou para países vizinhos como Camarões, Chade, Níger e Benin, com assassinatos regulares, queima de mesquitas, igrejas, mercados e escolas e ataques a instalações militares.

Ultimamente, porém, o grupo passou a colecionar derrotas. Em junho deste ano, militantes do Boko Haram gravaram um vídeo no qual confirmaram a morte de Abubakar Shekau, seu notório ex-comandante.

Shekau morreu no dia 19 de maio, em um confronto com jihadistas do ISWAP (Estado Islâmico da África Ocidental) na floresta de Sambisa, no nordeste da Nigéria. “Shekau detonou uma bomba e se matou”, disse um militar nigeriano, em áudio ouvido pelo “Wall Street Journal” à época.

Formado por dissidentes do Boko Haram, o ISWAP se afastou de Shekau em 2016 e passou a se concentrar em alvos militares e ataques de alto perfil, inclusive trabalhadores humanitários. Depois da morte de Shekau, informações não confirmadas oficialmente sugerem que houve uma aproximação entre os dois grupos.

O Programa de Desenvolvimento da ONU (Organização das Nações Unidas) estima que o conflito entre jihadistas e militares na Nigéria resultou em mais de 30 mil mortes diretas, além de outras mais de 300 mil mortes por causas indiretas.

No Brasil

Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino.

Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos.

Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.