No Sudão do Sul, enviado da ONU vê ‘tragédia’ sanitária após Covid-19

Sistema de saúde local era frágil antes da pandemia; agora, corre o risco de desguarnecer atividades básicas
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A pandemia do novo coronavírus abre caminho para uma tragédia no sistema de saúde do Sudão do Sul, avisou o líder da missão da ONU (Organização das Nações Unidas) no país, David Shearer, ao Conselho de Segurança da entidade nesta terça (23).

Com os recursos empenhados na atenção ao vírus, importantes procedimentos de rotina como vacinação, pré-natal e tratamento de malária e difteria podem ser comprometidos.

Isso porque o novo coronavírus consome a quase totalidade dos recursos do sistema de saúde, mesmo em nações desenvolvidas.

“[A situação] vai resultar em um aumento dramático das mortes, talvez ainda superior que a perda de vidas pela própria Covid”, avaliou Shearer. “Essa é a lição que precisamos aprender do surto de Ebola na África ocidental, quando 11 mil morreram pelo vírus e muitos mais por problemas de saúde de fácil prevenção”.

No Sudão do Sul, enviado da ONU vê 'tragédia' no sistema de saúde após Covid-19
Mercado de legumes em Yambio, no Sudão do Sul (Foto: UN Photo/ Nektarios Markogiannis)

O colapso do sistema de saúde sul-sudanês é uma “tragédia que pode ser evitada”, explicou o emissário das Nações Unidas.

Problema local

Os dados do governo local, subnotificados, dão conta de dois mil casos e 35 mortes. Além da dificuldade de realizar exames em um dos países mais pobres do mundo, Shearer também relata que a população tem estigmatizado quem tem o vírus.

O isolamento social também tem tido baixa aderência. “É preciso ganhar a vida, e isso significa que o comportamento das pessoas não mudou. Não trabalhar hoje significa não comer amanhã”, afirmou, em declaração ao Conselho.

Shearer pediu ajuda ao Conselho para garantir equipamentos de proteção individual para profissionais de saúde e soldados da missão de paz. Ao menos 86 médicos e enfermeiros contraíram o vírus e têm recebido salários com atraso.

“Temos pedido às pessoas que aceitem riscos no exercício de suas funções. Mas temos o dever de garantir que estejam bem equipadas e de que esses riscos são necessários. Sem isso, perdemos nossa capacidade operacional.”

O Sudão do Sul é o país mais novo do mundo, criado em 2011. Desde 2013, vive conflito entre forças governistas e oposicionistas.

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