Visita saudita no Sudão visa ‘resolver obstáculos’, afirma chanceler de Riad

Obstáculos estariam relacionados a investidores; encontro é o 1º desde a queda do autocrata Omar al-Bashir, em 2019
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A visita do ministro de Relações Exteriores da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan, ao Sudão, nesta terça (8), busca “resolver obstáculos” do reino no país – sobretudo a respeito de investidores, apontou o chanceler.

Antes mesmo de chegar em Cartum, um relatório apontou que a delegação visa “ativar acordos” no país. O documento e a delegação, porém, não detalharam as negociações, disse a Associated Press.

Esta é a primeira viagem oficial saudita ao país desde a queda do ditador Omar al-Bashir, no ano passado. A Arábia Saudita está entre os principais apoiadores do governo de transição do Sudão.

Visita saudita no Sudão visa "resolver obstáculos", aponta chanceler
Encontro do primeiro-ministro do Sudão, Abdalla Hamdok, e líderes sauditas em Cartum, dezembro de 2020 (Foto: Governo do Sudão)

Durante o encontro com o primeiro-ministro Abdalla Hamdok, Faisal afirmou que o reino apoia a recente decisão dos EUA em remover o Sudão da lista de patrocinadores do terrorismo.

O país africano integra a relação desde os anos 1990, quando al-Bashir hospedou o mentor da Al-Qaeda, Osama bin Laden, e outros militantes foragidos.

Conforme a proposta de Donald Trump, a remoção ocorrerá após o pagamento de US$ 335 milhões em indenização aos familiares das vítimas de ataques de Bin Laden enquanto o terrorista, morto em 2011, vivia no Sudão.

Sudão e Arábia Saudita

Desde a queda de al-Bashir, após um motim, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos intensificaram o apoio financeiro aos novos líderes do país. Pelo menos metade do montante de US$ 3 bilhões em ajuda já foram entregues.

Outra relação do Sudão com os sauditas está na coalizão contra os rebeldes Houthis no Iêmen, liderada por Riad desde 2015. Cartum retirou as tropas do país, mas afirma que não deixará os esforços conjuntos. O Iêmen vive hoje a maior catástrofe humanitária do mundo, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas).

Tentando desbravar um caminho para a democracia, o Sudão ainda sente os efeitos da ditadura de três de décadas de al-Bashir, que legaram ao país pobreza, isolamento e desemprego. Atualmente, um conselho conjunto militar-civil governa o país.

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