África

Ex-presidente do Sudão é julgado em Cartum por golpe de 1989

Se for condenado por tribunal sudanês, Omar al-Bashir, que deixou poder em 2019, pode enfrentar pena de morte

O ex-presidente do Sudão Omar al-Bashir, deposto no ano passado, foi a julgamento nesta terça (21), na capital Cartum. Al-Bashir será julgado pelo golpe militar de 1989 contra o premiê eleito democraticamente Sadek al-Mahdi.

É a primeira vez na história moderna do mundo árabe que o autor de um golpe de Estado vai a julgamento. Hoje, o ex-presidente cumpre dois anos de prisão por corrupção.

Bashir está no banco dos réus com dez militares e seis civis, incluindo os ex-vice-presidentes Ali Osman Taha e Bakri Hassan Saleh. Ex-ministros e governadores também estão no banco dos réus.

No entanto, o homem que seria de fato o cérebro por trás da ação seria Hassan Turabi, morto em 2016. A próxima audiência acontece em 11 de agosto.

O julgamento acontece em meio ao lançamento de uma série de reformas promovidas pelo governo de transição, além da tentativa de novas conversas com grupos rebeldes.

O premiê Abdalla Hamdok aboliu recentemente regras que proibiam movimentos de mulheres, baniu a mutilação genital feminina e flexibilizou regras sobre bebidas alcoólicas para estrangeiros não-muçulmanos.

Ex-presidente do Sudão é julgado por golpe em 1989
Omar al-Bashir em 2009 (Foto: Jesse B. Awalt/Wikimedia Commons)

Darfur

Segundo informações da France 24, se condenado, Al-Bashir pode receber pena de morte.

O atual governo sudanês, porém, já prometeu que o ditador responderá por genocídio, crimes contra a humanidade e de guerra no Tribunal Penal Internacional, na cidade holandesa de Haia.

Bashir é alvo de dois mandados de prisão por seu envolvimento no conflito em Darfur, que castiga o oeste do país desde 2003.

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), a guerra deixou cerca de 300 mil pessoas mortas. Cerca de 2,5 milhões foram forçacada a deixar suas casas.

O país, de 41,8 milhões de habitantes, vive mergulhado em crise. Cerca de 9,3 milhões de sudaneses necessitam de ajuda humanitária. A situação avançou pouco mesmo após seu desmembramento em 2011, que deu origem ao Sudão do Sul.

A divisão do Sudão aconteceu como forma de apaziguar os conflitos históricos entre o norte, muçulmano, e o sul, cristão e animista.