Américas

Controle da mineração por criminosos leva a abusos e exploração na Venezuela

Há relatos de extorsão, amputação e mineiros enterrados vivos, além de violações contra crianças e povos indígenas

O controle de grupos criminosos sobre um grande número de operações de mineração de ouro na Venezuela gerou relatos de exploração e graves abusos contra crianças e povos indígenas.

Crianças de até nove anos foram vistas trabalhando na região de Arco Minero del Orinoco, na bacia do rio homônimo. A informação é de relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos divulgado nesta quarta (15).

Os relatos incluiriam ainda extorsão, amputação e casos de mineiros enterrados vivos. Trabalhadores seriam forçados a fazer turnos de 12 horas em minas com pouca segurança.

Quem não cumpre com as regras impostas pelos grupos criminosos está sujeito a punições como espancamentos severos, tiros nas mãos ou amputação. Há também relatos de assassinatos.

Nesses locais, a presença de militares venezuelanos seria “considerável”. Os comandantes estariam envolvidos em um esquema de corrupção e suborno.

A disputa entre os criminosos pelo controle das minas teria resultado na morte de 149 pessoas nos últimos quatro anos, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas).

Controle da mineração por criminosos leva a abusos e exploração na Venezuela
Pepitas de ouro (Foto: Claudia Berger/Unicef)

Péssimas condições de vida

Com a grave crise econômica que castiga a Venezuela, muitas pessoas não tem outra opção a não ser recorrer aos trabalhos nas minas. Houve um aumento “dramático”, diz o relatório, de migração interna para áreas de mineração.

Os trabalhadores são obrigados a pagar entre 10% e 20% do que ganham nas minas aos criminosos e entre 15% e 30% aos donos dos moinhos, onde rochas são trituradas para extrair ouro e outros minerais.

Além disso, é preciso lidar com a falta de água corrente, eletricidade e saneamento básico. O envenenamento por mercúrio também ameaça os mineiros venezuelanos.

Já as mulheres, incluindo adolescentes, nas áreas de mineração são vítimas de prostituição, exploração sexual e tráfico.

Para a chefe do Alto Comissariado Michelle Bachelet, as autoridades venezuelanas não estão investigando os casos ligados à indústria mineradora.