Joe Biden diz que exército dos EUA matou o principal líder do Estado Islâmico

Abu Ibrahim al-Hashimi al-Qurashi foi morto em uma operação militar no noroeste da Síria, segundo o presidente norte-americano
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no email

O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou nesta quinta-feira (3), em comunicado publicado pela Casa Branca, que o exército norte-americano matou Amir Muhammad Sa’id Abdal-Rahman al-Mawla, também conhecido como Abu Ibrahim al-Hashimi al-Qurashi, o principal líder do Estado Islâmico (EI).

“Ontem à noite, sob minha direção, as forças militares dos EUA no noroeste da Síria realizaram com sucesso uma operação de contraterrorismo para proteger o povo americano e nossos aliados e tornar o mundo um lugar mais seguro”, diz o texto. “Graças à habilidade e bravura de nossas Forças Armadas, tiramos do campo de batalha Abu Ibrahim al-Hashimi al-Qurayshi – o líder do EI”.

Al-Mawla tornou-se líder do EI em novembro de 2019, após a morte de Abu Bakr al-Baghdadi, também em um ataque militar norte-americano no noroeste da Síria. Ao contrário do antecessor, que fazia raras, porém periódicas aparições, al-Mawla era recluso, a fim de evitar o mesmo destino de al-Baghdadi.

Amir Muhammad Sa’id Abdal-Rahman al-Mawla, líder do Estado Islâmico (Foto: rewardsforjustice.net)

Civis mortos

As primeiras informações de uma grande operação militar no noroeste da Síria, entre as cidades de Idlib e Aleppo, surgiram na quarta-feira (2), com relatos de soldados norte-americanos usando megafones para pedir à população civil que deixasse um edifício que seria atacado. Depois, houve explosões e intensa troca de tiros, segundo a rede Voice of America (VOA)

O secretário de imprensa do Pentágono, John Kirby, confirmou a ação, em comunicado distribuído à imprensa. “As forças de Operações Especiais, sob o controle do Comando Central dos EUA, conduziram uma missão de contraterrorismo nesta noite no noroeste da Síria. A missão foi bem sucedida”.

De acordo com a ONG Observatório Sírio para os Direitos Humanos, sediada em Coventry, na Inglaterra, a operação também terminou com a morte de civis. A entidade informou que pelo menos 13 pessoas foram mortas pelo exército dos EUA, incluindo três mulheres e quatro crianças.

Por que isso importa?

Nos últimos anos, o EI se enfraqueceu financeira e militarmente. Em 2017, o exército iraquiano anunciou ter derrotado a organização no país, com a retomada de todos os territórios que ela dominava desde 2014. O grupo, que chegou a controlar um terço do Iraque, hoje mantém apenas células adormecidas que lançam ataques esporádicos, quase sempre focados em agentes do governo. Já as FDS, uma milícia curda apoiadas pelos EUA, anunciaram em 2019 o fim do “califado” criado pela organização extremista na Síria.

De acordo com um relatório do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), publicado em julho de 2021, a prioridade do EI atualmente é “o reagrupamento e a tentativa de ressurgir” em seus dois principais domínios, Iraque e Síria, onde ainda mantém cerca de 10 mil combatentes ativos. O documento sugere, ainda, que o grupo teve considerável perda financeira, devido a dois fatores: as operações antiterrorismo no mundo e a má gestão de fundos por parte de seus líderes.

Paralelamente à derrocada do EI, a pandemia de Covid-19 reduziu o número de ataques terroristas em regiões sem conflito, devido a fatores como a redução do número de pessoas em áreas públicas. Entretanto, grupos jihadistas têm se fortalecido em zonas de conflito, e isso pode causar um impacto na segurança global conforme as regras de restrição à circulação são afrouxadas.

Esse cenário permitiu ao EI, particularmente, ganhar uma sobrevida, fazendo uso sobretudo do poder da internet. À medida em que as restrições relacionadas à pandemia diminuem gradualmente, há uma elevada ameaça de curto prazo de ataques inspirados no grupo fora das zonas de conflito. São ações empreendidas por atores solitários ou pequenos grupos que foram radicalizados e incitados através da internet.

Atualmente, o principal reduto do EI é o continente africano, onde consegue se manter relevante graças ao recrutamento online e à ação de grupos afiliados regionais. A expansão do grupo em muitas regiões da África desde o início de 2021 é alarmante e pode marcar a retomada de força da organização.

No Brasil

Casos mostram que o Brasil é um porto seguro para extremistas. Em dezembro de 2013, levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino.

Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos.

Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram.

Mais recentemente, em dezembro de 2021, três cidadãos estrangeiros que vivem no Brasil foram adicionados à lista de sanções do Tesouro Norte-americano. Eles são acusados de contribuir para o financiamento da Al-Qaeda, tendo inclusive mantido contato com figuras importantes do grupo terrorista.

Para o tenente-coronel do Exército Brasileiro André Soares, ex-agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), o anúncio do Tesouro causa “preocupação enorme”, vez que confirma a presença do país no mapa das organizações terroristas islâmicas.

“A possibilidade de atentados terroristas em solo brasileiro, perpetrados não apenas por grupos extremistas islâmicos, mas também pelo terrorismo internacional, é real”, diz Soares, mestre em operações militares e autor do livro “Ex-Agente Abre a Caixa-Preta da Abin” (editora Escrituras). “O Estado e a sociedade brasileira estão completamente vulneráveis a atentados terroristas internacionais e inclusive domésticos, exatamente em razão da total disfuncionalidade e do colapso da atual estrutura de Inteligência de Estado vigente no país”. Saiba mais.

Tags: