Para fugir da crise, cerca de 20 mil argentinos migraram para o Uruguai desde março

Situação econômica confortável e incentivos impulsionaram permanência de cidadãos do país vizinho
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Ainda que as fronteiras entre Argentina e Uruguai estejam fechadas, cerca de 30 mil argentinos entraram no Uruguai desde março e cerca de 20 mil permaneceram no país.

Procurados pela BBC, os embaixadores Carlos Enciso e José Luis Curbelo afirmaram que processam cerca de 100 papéis por semana desde o início de agosto.

Em levantamento dos britânicos “The Guardian” e “The Economist”, a estimativa é que 20 mil argentinos tenham permanecido no outro lado do Rio da Prata. Uma das razões para explicar a migração argentina ao Uruguai é a resposta de Montevidéu à pandemia da Covid-19.

Com os contágios controlados desde o princípio, as restrições não foram tão graves e o Uruguai se transformou em um case de sucesso enquanto a crise econômica batia à porta do país vizinho.

Cerca de 20 mil argentinos já migraram ao Uruguai desde março
Punta del Este é um dos principais destinos dos argentinos no Uruguai. Na foto, o tradicional Paseo Mailhos, em junho de 2015 (Foto: CreativeCommons/Casas en el Este)

Com 989 mil casos, a Argentina já registrou 26,6 mil mortes em decorrência da doença causada pelo vírus. O Uruguai, por outro lado, com 8% do número de habitantes, possui 51 mortes e pouco mais de 2,5 mil casos confirmados. O balanço foi atualizado pela Universidade Johns Hopkins na segunda (19).

A situação epidemiológica, no entanto, tem pouca relevância par5a os argentinos. A partir de agosto, a maioria migrou por motivos econômicos.

Economia e incentivos fiscais

O rápido controle da Covid-19 permitiu a reabertura de diversos setores da economia uruguaia apenas após algumas semanas de fechamento. Ao contrário, a Argentina permanece, em teoria, em quarentena – ainda que poucos a cumpram.

Buenos Aires só permitiu a reabertura de atividades recreativas em agosto, e bares e restaurantes só puderam receber clientes ao ar livre em outubro.

Voos comerciais tanto para o exterior quanto para dentro do país ainda não retornaram as atividades e o transporte público está reservado aos trabalhadores essenciais.

Cerca de 20 mil argentinos já migraram ao Uruguai desde março
Comércio local de Buenos Aires, capital da Argentina, em setembro de 2014 (Foto: CreativeCommons/LWYang)

Por isso, a pandemia pode favorecer o Uruguai. O objetivo do governo é atrair cerca de 100 mil estrangeiros a fim de aumentar a população do país.

Para facilitar a vinda dos argentinos, Montevidéu já flexibilizou as exigências na migração e nos investimentos, com incentivos fiscais, para quem pretende se mudar para o país.

Os valores de propriedades que cada pessoa pode possuir, por exemplo, caíram de US$ 1,7 milhão para US$ 380 mil.

Os investimentos mínimos também saíram de US$ 5 milhões para US$ 1,6 milhão, com garantia de, no mínimo, 15 empregos. Além disso, o período de isenção de impostos sobre a renda obtida no exterior aumentou de cinco para dez anos.

“A inflação, dólar alto, pobreza crescente, insegurança, imprevisibilidade constante, impostos extorsivos”, citou um empresário argentino à BBC que não quis se identificar. “Tudo isso me fez deixar a Argentina. Desde que me lembro, sempre houve crise. Aqui recuperei a minha qualidade de vida”.

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