Wall Street deve excluir empresas chinesas em até três anos, afirma especialista

Com a guerra pela influência global entre os países a todo vapor, o fim da linha dos ativos asiáticos em Wall Street deverá ocorrer até 2024
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

“Fim de jogo”. Foi com essas palavras que o executivo do TWC Group, David Loevinger, classificou o futuro das companhias chinesas listadas na bolsa de valores dos Estados Unidos. Segundo ele, com a guerra pela influência global entre os dois países, o fim da linha para os ativos asiáticos em Wall Street deve chegar em três anos, período necessário para que as empresas sejam excluídas dos mercados de capitais dos EUA, segundo a rede CNBC.

“Acho que, para muitas empresas chinesas listadas nos mercados dos EUA, é essencialmente o fim de jogo”, disse Loevinger, diretor-gerente de pesquisa soberana de mercados emergentes do TCW. “Este é um problema que persiste há 20 anos e não fomos capazes de resolver”.

Para Loevinger, com a crescente tensão entre Washington e Beijing e o nível de desconfiança entre os dois governos, o relacionamento bilateral não tem grandes perspectivas de melhora em curto prazo. “Não há como resolver isso nos próximos anos”, prevê o especialista.

Garota em uma bicicleta da Didi, gigante chinesa de tecnologia de mobilidade que já anunciou retirada da bolsa de NY (Foto: WikiCommons)

“Então, a realidade é, eu acho, em 2024, a maioria das empresas chinesas relacionadas nas bolsas dos Estados Unidos não será mais listada no país. A maioria vai gravitar de volta para Hong Kong ou Xangai”, disse ele.

Loevinger observa que, quando uma empresa sai de uma bolsa como a Nasdaq ou a Bolsa de Valores de Nova York, ela perde o acesso a um amplo pool de compradores, vendedores e intermediários.

Mesmo assim, o processo de retirada já teve início. A gigante chinesa de tecnologia de mobilidade Didi, dona do transporte por aplicativo 99 e operadora do Uber, que abriu seu capital há somente seis meses, declarou que irá começar a sair da bolsa nova-iorquina, planejando listar suas ações em Hong Kong.

O anúncio não agradou reguladores chineses, que manifestaram descontentamento com a decisão da retirada da Didi antes de resolver pendências relacionadas à segurança cibernética. Os executivos da empresa foram orientados a apresentarem um plano de remoção da lista dos EUA por conta de preocupações com o vazamento de dados.

Outras gigantes chinesas tomaram o caminho da dupla listagem em Hong Kong, como a do comércio eletrônico Alibaba, sua rival JD.com, a do mecanismo de busca Baidu, a empresa de jogos NetEase e a rede social Weibo.

Segundo Loevinger, a saída da Didi marcou o ponto de inflexão atingido. “Só não acho que o governo da China vai permitir que os reguladores dos EUA tenham acesso irrestrito aos documentos de auditoria interna das empresas chinesas”, disse, acrescentando: “E se os reguladores dos EUA não podem ter acesso a esses documentos, eles não podem proteger os mercados dos EUA de fraudes”, acrescentou.

Tags: