Boatos e crendices são entrave à vacinação de poliomielite no Paquistão

Crenças religiosas e boatos motivam recusa de pais e familiares em vacinar as crianças, atrasando erradicação
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O Paquistão é um dos dois únicos países no mundo onde a poliomielite é endêmica. A relutância dos pais em vacinar as crianças tem contribuído para a transmissão sustentada do vírus no país. 

Em entrevista a ONU (Organização das Nações Unidas), Dennis Chimenya, do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) contou que, mesmo com milhões de crianças salvas da paralisia infantil no país, a luta para a erradicar a doença ainda é longa. 

Boatos e crendices são entrave à vacinação de poliomielite no Paquistão
Médico vacina criança contra a poliomielite no Afeganistão, em imagem de abril de 2007 (Foto: UN Photo)

“Em algumas comunidades, os pais recusam vacinas devido a boatos e crenças religiosas. Meu trabalho é desenvolver atividades para que mais mais pessoas aceitem a imunização para erradicar a doença”, relata.

O profissional conta que aos poucos a adesão familiar cresce no interior do país, mas ainda há casos em que a poliomielite paralisa a criança porque os pais se recusaram a vaciná-la.

“Sempre fica a ideia de que poderíamos ter feito mais para persuadi-los e salvar a criança”, lamenta.

Chimenya também relata problemas na vacinação contra a poliomielite durante a pandemia de Covid-19.

Auxílio epidemiológico

De acordo com Chimenya, o programa no Paquistão não é restrito à poliomielite. É também direcionado para fortalecer os sistemas de saúde locais, de infraestrutura fraca, e fornecer serviços essenciais. 

Isso inclui o fornecimento de suplementos de vitamina A e remédios contra vermes. Em algumas das áreas de maior risco, também são oferecidos serviços básicos de saúde materno-infantil.

Durante a pandemia do novo coronavírus, o grupo tem atuado com táticas de primeiros socorros, ajudando o sistema de saúde a atender a população.

O ativista explica que houve mudanças no trabalho de emergência para lidar com o socorro das vítimas da pandemia. “Ajustamos o mais rápido possível. Passamos a pesquisar e saber mais sobe o vírus, pois as pessoas vinham até nós em busca de informações”, conta.

“Foi estressante”, resume. “Mas, no final, conforme a situação se estabiliza no Paquistão, vem um sentimento de orgulho pela nossa contribuição”.

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