China pretende lançar 13 mil satélites e gera temores de espionagem

Megaconstelação deve incrementar serviços de internet móvel 5G, mas gera desconfianças sobre qual o propósito real de Beijing
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A China está gerando novas suspeitas de espionagem devido ao plano de lançar uma “megaconstelação” de até 13 mil satélites que vão operar na órbita baixa da Terra. Algo semelhante ao Starlink, serviço de internet via satélite da SpaceX, empresa do magnata Elon Musk. As informações constam de um artigo publicado pelo jornal Daily Mail.

A rede faria parte dos serviços de internet móvel 5G do país asiático, e já haveria inclusive um contrato firmado com as primeiras empresas, a fim de dar início ao trabalho de desenvolvimento na cidade de Chongqing.

Ainda há poucos detalhes sobre como deve ser o funcionamento da rede e sua cobertura, mas o objetivo principal é levar acesso à internet para onde há lacunas na conectividade, principalmente nas áreas rurais.

China poderá oferecer serviço global de internet com a nova rede, competindo com operadoras do Ocidente (Foto: Pxhere/Divulgação)

Se executado, o ambicioso projeto de constelação pode levar serviços de comunicação para todas as partes do mundo, colocando a China em condições de competir com operadoras ocidentais. Isso esmo no atual contexto geopolítico, com relações estremecidas entre o país asiático e o Ocidente por questões diversas, entre elas Taiwan, Xinjiang e Covid-19.

Pelo histórico de espionagem, qualquer movimento que a China faça no espaço acaba por deixar especialistas em segurança receosos das intenções de Beijing. E um lançamento de satélites dessa magnitude certamente irá trazer temores sobre como eles poderão ser usados ​​para bisbilhotar os Estados Unidos e seus aliados.

O centro de satélites será construído em Chongqing, e as empresas que receberam o contrato para a obra afirmam que a cidade oferece uma série de vantagens estratégicas, incluindo mão de obra e economia. Uma dessas firmas, a Commsat, relata que a competição internacional por frequência, bem como recursos em órbita baixa da Terra, estão impulsionando o desenvolvimento.

Em dezembro, a China já havia aprovado a produção de um satélite de teste de comunicação de banda larga, construído pela Commsat como um dispositivo de teste.

O governo chinês não tem exclusividade na exploração do espaço. A iniciativa privada também lança satélites para a órbita terrestre baixa, como é o caso da Galaxy Space. A empresa, sediada em Beijing, planeja lançar seis satélites de comunicação neste ano. O momento é de competição entre operadoras não estatais na China, que pode evoluir para um novo projeto nacional de satélite.

Há outras questões além das desconfianças acerca do propósito da rede global de satélites. Entre elas o lixo espacial e o aumento do risco de colisões no espaço, que podem danificar outras naves espaciais.

Em dezembro, após ter escapado de duas colisões em sua estação espacial devido a aproximações classificadas como “irresponsáveis”, a China solicitou aos Estados Unidos que a Starlink, uma divisão da SpaceX, evitasse que seus satélites chegassem perto novamente do laboratório em órbita.

Diante dos incidentes, a delegação chinesa na ONU (Organização das Nações Unidas) emitiu uma nota diplomática ao secretário-geral da entidade neste mês, relatando as circunstâncias e exigindo “responsabilidade internacional pelas atividades nacionais no espaço exterior”, citando o Tratado do Espaço Exterior.

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