Escalada de violência matou ao menos quatro crianças em Mianmar, diz Unicef

Tensão aumentou no país asiático na semana passada, com crianças assassinadas e mutiladas em meio ao conflito
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Pelo menos quatro crianças morreram e várias outras sofreram mutilações durante uma escalada de violência no conflito civil de Mianmar na semana passada. As informações foram divulgadas na terça-feira (11) pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

No sábado (8), o corpo de um menino de 13 anos foi descoberto em Matupi, estado de Chin, enquanto uma menina de 12 anos e um menino de 16 anos foram feridos por armamento pesado em Loikaw, estado de Kayah, após intensos ataques aéreos e ataques de morteiros. No mesmo dia, uma menina de 7 anos foi ferida por tiros de armas pesadas em Hpa An, estado de Kayin.

Um dia antes, em 7 de janeiro, um garoto de 14 anos e dois garotos de 17 anos foram mortos a tiros no município de Dawei, na região de Tanintharyi. E, em 5 de janeiro, duas meninas, de 1 e 4 anos, foram feridas por fogo de artilharia em Namkham, estado de Shan.

Em um comunicado, a diretora regional do Unicef, Debora Comini, disse que a agência está “seriamente preocupada” com a escalada do conflito e condena o uso relatado de ataques aéreos e armamento pesado em áreas civis. Também se disse particularmente indignada com os ataques a crianças que ocorreram em todo o país.

Protestos contra o golpe militar de Mianmar, em fevereiro de 2021 (Foto: Divulgação/Ninjastrikers)

“As partes em conflito devem tratar a proteção das crianças como a principal prioridade e devem tomar todas as medidas necessárias para garantir que as crianças sejam mantidas longe dos combates e que as comunidades não sejam alvos”, disse Comini, citando as leis do Direito Internacional Humanitário e da Convenção sobre os Direitos da Criança, da qual Mianmar é signatária.

Recordando outros incidentes recentes, o Unicef pediu medidas urgentes para garantir investigações independentes, para que os responsáveis ​​possam ser responsabilizados.

No geral, o povo de Mianmar está enfrentando uma crise política, socioeconômica, de direitos humanos e humanitária sem precedentes, com necessidades aumentando drasticamente desde a tomada do poder pela junta militar e uma grave terceira onda do Covid-19.

De acordo com um Panorama das Necessidades Humanitárias da ONU, a turbulência possivelmente levará quase metade da população à pobreza até 2022, anulando os ganhos impressionantes obtidos desde 2005.

A situação vem se agravando desde o início do ano, quando os militares tomaram conta do país, derrubando o governo democraticamente eleito. Estima-se agora que 14 dos 15 Estados e regiões estão dentro do limiar crítico para desnutrição aguda.

Para o próximo ano, a análise projeta que 14,4 milhões de pessoas precisarão de alguma forma de ajuda, aproximadamente um quarto da população. O número inclui 6,9 milhões de homens, 7,5 milhões de mulheres e cinco milhões de crianças.

Por que isso importa?

Mianmar enfrenta “uma campanha de terror com força brutal”, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas). A repressão imposta pelo governo já causou a morte de ao menos 1252 pessoas desde o golpe de 1º de fevereiro deste ano, uma reação dos militares às eleições presidenciais de novembro de 2020.

Na ocasião, a NLD (Liga Nacional pela Democracia) venceu as eleições com 82% dos votos, ainda mais do que havia obtido no pleito de 2015. Em fevereiro, então, a junta militar, que já havia impedido o partido de assumir o poder antes, derrubou e prendeu a presidente eleita Aung San Suu Kyi.

O golpe deu início a protestos no país, respondidos com violência pelas forças de segurança nacionais. Centenas de pessoas foram presas sem indiciamento ou julgamento prévio, e muitas famílias continuam à procura de parentes desaparecidos. Jornalistas e ativistas são atacados deliberadamente, e serviços de internet têm sido interrompidos.

No início de dezembro, tropas da junta militar foram acusadas de assassinar 11 pessoas em uma aldeia no noroeste do país. De acordo com uma testemunha, as vítimas, algumas delas adolescentes, teriam sido amarradas e queimadas na rua. Fotos e um vídeo chocantes que viralizaram por meio de redes sociais à época mostravam corpos carbonizados deitados em círculo no vilarejo de Done Taw, na região de Sagaing.

A ação dos soldados seria uma retaliação a um ataque de rebeldes contra um comboio militar. Uma liderança local da oposição afirmou que os civis foram queimados vivos, evidenciando a brutalidade da repressão à população que tenta resistir ao golpe de Estado orquestrado em fevereiro deste ano.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente em inglês pela ONU News

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