Ásia e Pacífico

Estudantes são presos em Hong Kong sob acusação de incentivarem o terrorismo

Num encontro virtual, universitários manifestaram pesar pela morte de um homem que cometeu suicídio após esfaquear um policial

Quatro estudantes da Universidade de Hong Kong foram presos sob acusação de incentivarem o terrorismo, na quarta-feira (18). Eles foram detidos porque realizaram um encontro virtual no qual manifestaram pesar pela morte de um homem que cometeu suicídio depois de esfaquear um policial, segundo a rede VOA News (Voice of America).

Os universitários, que têm entre 18 e 20 anos, eram membros de uma grupo que fez a transmissão online de um encontro entre eles, no qual foi aprovada uma moção de “apreciação ao sacrifício” do homem. Foi respeitado um momento de silêncio em homenagem ao morto. Além dos quatro detidos, as autoridades pretendem ouvir todos os jovens que votaram a favor da moção.

Manifestantes pró-democracia de Hong Kong em embate contra forças chinesas em agosto de 2019 (Foto: CreativeCommons/Studio Incendo)

O crime lembrado pelos jovens aconteceu no dia 1º de julho deste ano, data do primeiro aniversário da entrada em vigor da lei de segurança nacional. A normativa legal, imposta pela China, classifica e criminaliza qualquer tentativa de “intervir” nos assuntos locais como “subversão, secessão, terrorismo e conluio”. Infrações graves podem levar à prisão perpétua.

O homem em questão atingiu com uma facada no pulmão o policial, que mais tarde se recuperou do ferimento. O autor da punhalada morreu depois de atingir o próprio peito. Chris Tang, secretário de segurança de Hong Kong, classificou o ataque como um ato de terrorismo doméstico, e um comunicado emitido pelas autoridades alertou os cidadãos a não lamentarem a morte do agressor.

Por que isso importa?

A tensão aumentou em Hong Kong em 2019, quando ocorreram protestos em massa contra o domínio de Beijing e a favor da independência do território. A resposta do governo, então, veio através da citada lei de segurança nacional.

No final de julho, foi anunciado o primeiro veredito de uma ação judicial baseada na nova normativa legal. Tong Ying-kit, um garçom de 24 anos, foi condenado a nove anos de prisão sob as acusações de praticar terrorismo e incitar a secessão.

O incidente que levou à condenação ocorreu em 1º de julho de 2020, o primeiro dia em que a lei vigorou e o mesmo dia da punhalada no policial. Tong dirigia uma motocicleta com uma bandeira preta na qual se lia “Liberte Hong Kong. Revolução dos Nossos Tempos”, slogan usado pelos ativistas antigoverno nas manifestações de 2019.

O julgamento de Tong foi focado na intepretação do slogan e na capacidade de ele convencer outros cidadãos a clamar pela independência de Hong Kong em relação à China. “Tal exibição de palavras foi capaz de incitar outros à secessão”, diz a sentença, que ainda destacou o fato de o acusado ter consciência de tal significado.

Os juízes ainda disseram que Tong ignorou as barreiras de segurança e avançou “deliberadamente” contra os policiais, que são “um símbolo da lei e da ordem de Hong Kong”.