Ásia e Pacífico

Livros pró-democracia são retirados de bibliotecas em Hong Kong

Obras serão revisadas para concluir se violam a lei de segurança aprovada pela China em maio

Livros de figuras pró-democracia foram retirados de bibliotecas públicas de Hong Kong. As obras serão revisadas para concluir se violam a lei de segurança aprovada pela China em maio, segundo a BBC.

A lei aprovada pelo Congresso da China aumenta o controle chinês sobre a ex-colônia britânica. A previsão é de suprimir qualquer ato que possa “ameaçar a segurança nacional”.

De acordo com o jornal “South China Morning Post“, pelo menos nove livros entraram na lista de “revisão”, como títulos escritos por Joshua Wong, proeminente ativista pró-democracia, e pela política Tanya Chan.

Desde que a lei entrou em vigor no último dia 30, vários importantes ativistas a favor da democracia se afastaram de suas funções. Um deles, o líder estudantil e legislador local Nathan Law, fugiu do território.

Ao descartar as críticas, a China afirmou ser necessário parar atos como os vistos no ano passado. Na ocasião, milhares foram às ruas da ex-colônia britânica, devolvida à China em 1997.

Os locais protestam contra o que consideram crescente influência da China no território e no governo de Carrie Lam, chefe do Executivo no território.

Livros pró-democracia são retirados de bibliotecas em Hong Kong
Protesto em Hong Kong, em outubro de 2019 (Foto: Studio Incendo/Wikimedia Commons)

Críticas à lei

Diversos países fizeram críticas à imposição chinesa, como Austrália e Reino Unido.

Nesta quinta (9), o governo australiano anunciou a suspensão do tratado de extradição com Hong Kong e a concessão de vistos de estudante e temporários para 10 mil cidadãos da ex-colônia britânica.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, afirmou que a lei de segurança aprovada pela China é uma “mudança fundamental em relação ao nosso acordo de extradição com Hong Kong“.

A suspensão do acordo de extradição segue um movimento semelhante pelo Canadá, de semana passada. A Nova Zelândia também afirmou estar analisando “ajustes no relacionamento” com Hong Kong.

Em junho, o premiê britânico Boris Johnson afirmou que o Reino Unido iria “mudar suas regras de imigração se Beijing impuser sua lei de segurança nacional”.

Há cerca de 2,9 milhões de pessoas, nascidas em Hong Kong antes da devolução à China em 1997, que podem pleitear residência no Reino Unido.

Destes, 349 mil tem os chamados passaportes ultramarinos. Após um ano de residência, seria possível iniciar o processo de cidadania.