Ásia e Pacífico

Exilados uigures pedem investigação contra a China por genocídio

Grupo apresentou queixa por repatriação de uigures após prisões ilegais ou deportação para países vizinhos

Exilados da minoria uigur pediram nesta segunda (6) ao Tribunal Penal Internacional uma investigação contra a China por genocídio e crimes contra a humanidade. A informação é do jornal norte-americano The New York Times.

Essa é a primeira tentativa de responsabilizar o Partido Comunista chinês pela dura repressão contra a minoria muçulmana. Os uigures vivem sobretudo na região autônoma chinesa de Xinjiang, oeste do país, na fronteira com Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Paquistão e Afeganistão.

Advogados representando dois grupos ativistas da minoria apresentaram uma queixa contra Beijing. O objetivo é buscar a repatriação de milhares de uigures por meio de prisões ilegais ou deportação para o Camboja e Tajiquistão.

Exilados uigures pedem investigação contra a China por genocídio
Exilados uigures querem investigação contra a China por genocídio (Foto: Wikimedia Commons)

Nos últimos anos, as políticas do presidente Xi Jinping colocaram o povo muçulmano da região sob uma rede de vigilância. Cerca de um milhão de uigures estariam sendo mantidos em campos de internação.

A China acusa os uigures de fazerem uma campanha violenta pela independência. Já os representantes da minoria reportam discriminação pela maioria étnica han e repressão pelo Estado.

Como Beijing não reconhece a jurisdição do tribunal, os advogados concentraram as reivindicações em atos ilegais da China no Camboja e Tajiquistão, países-membros da corte internacional.

O mesmo dispositivo foi usado em 2018, em um caso sobre os crimes contra a minoria rohingya em Mianmar, país que também não assinou o tratado.

Controle de natalidade

Os chineses são acusados ainda de impor medidas de controle de natalidade entre a população uigur e outras minorias. Mulheres uigures estão sendo submetidas de maneira forçada à esterilização.

Dispositivos intrauterinos, esterilização e até aborto são cada vez mais comuns, embora o emprego desses métodos tenha diminuído no restante do país.

Nas regiões majoritariamente uigures de Hotan e Kashgar, a taxa de natalidade caiu mais de 60% entre 2015 e 2018. Em 2019, a queda foi de 24% em Xinjiang, ante 4,2% no restante do país.

O governo chinês nega repressão e afirma tratar todas as etnias da China de forma igual, protegendo direitos legais das minorias. As autoridades dizem ainda que as medidas de controle permitem apenas às minorias étnicas e chineses han terem o mesmo número de crianças.