Ásia e Pacífico

Malásia não pode receber mais refugiados rohingya, diz premiê

Segundo o chefe de governo malaio, impactos econômicos da pandemia impediriam absorção de refugiados no país

O primeiro-ministro da Malásia, Muhyiddin Yassin, afirmou na última sexta (26) que o país não pode mais aceitar refugiados rohingya vindos de Mianmar.

Em uma cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático, em português), Yassin atribuiu o fato aos impactos econômicos causados pela pandemia do novo coronavírus.

Yassin também acrescentou que a opinião pública internacional, “injustamente”, espera que a Malásia faça mais para acomodar os refugiados.

O premiê pediu para que o Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) trabalhe com a Malásia para agilizar o reassentamento de quem está ligado à agência da ONU.

Para Yassin, é necessário uma solução mais duradoura à questão dos rohingyas. “Refugiados nos campos são vulneráveis e podem se tornar possíveis alvos de crimes transfronteiriços, como contrabando, tráfico de pessoas e escravidão”, afirmou.

Ainda na declaração, o primeiro-ministro afirmou que a Asean deve fazer mais por Mianmar. Os birmaneses também devem agir para encerrar a crise.

Malásia não pode mais aceitar refugiados Rohingya, diz premiê
Deslocados do grupo rohingya no estado de Rakhine, em Mianmar (Foto: Foreign and Commonwealth Office/Flickr)

Resgate

Na última quarta (24), 99 refugiados rohingyas foram resgatados por pescadores em Aceh do Norte, na Indonésia, após quatro meses presos no mar. O grupo teria partido de Cox’s Bazar, em Bangladesh.

A comunidade local autorizou o desembarque por causa das 11 crianças desacompanhadas, segundo a OIM (Organização Internacional para as Migrações). Todos os resgatados são originalmente de Mianmar.

Segundo um dos rohingyas ouvido pela OIM, o destino final do grupo era a Malásia. Cada um deveria pagar US$ 2,3 mil na chegada ao capitão do barco, que também é birmanês.

A OIM testou os sobreviventes para o Covid-19. Todos os testes deram negativo. Segundo esse ano, só este ano 1,4 mil rohingyas ficaram presos no mar e ao menos 130 morreram.

Perseguição

Muçulmanos rohingya fogem de Mianmar desde 2017. O fluxo de refugiados começou depois que militares birmaneses iniciaram uma política, considerada ação deliberada de limpeza étnica, contra rebeldes.

As autoridades birmanesas consideram os rohingya como migrantes de Bangladesh, embora muitas famílias vivam no país – de maioria budista – há séculos. Boa parte teve a cidadania negada a partir de 1982, tornando-se apátrida.

As forças de segurança de Mianmar são acusados de atos como assassinatos e queima de milhares de casas. Aos rohingya também foram negados livre circulação e outros direitos básicos, como o acesso à educação.

Muitos vivem em acampamentos para refugiados em Bangladesh. Cox’s Bazar, no leste do país, abriga cerca de 860 mil muçulmanos rohingya.