Paquistão restaura acesso à internet e redes sociais após três dias de bloqueio

Medida tentava conter protestos violentos após a prisão do líder islâmico radical Saad Rizvi em diversos pontos do país
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

O governo do Paquistão restaurou o acesso às redes sociais do país nesta segunda-feira (19), após três dias de bloqueio de todos os canais de comunicação e redes sociais, confirmou o think tank holandês especializado em telecomunicações Telecompaper.

A medida tentava conter protestos violentos após a prisão de Saad Rizvi, líder do partido islâmico radical TLP (Tehreek-e Labiak) em Lahore, no nordeste do país. As autoridades determinaram a interrupção de Twitter, Facebook, WhatsApp, YouTube e Telegram ainda na sexta-feira, quando as manifestações alcançaram o ápice.

Pelo menos cinco pessoas, incluindo dois policiais, morreram em meio aos protestos na capital, Islamabad, e outras cidades do país, como Karachi e Lahore, registrou o serviço Gandhara da RFE (Radio Free Europe). Na quinta-feira, manifestantes foram até a embaixada da França para pedir que diplomatas franceses deixem o Paquistão.

Paquistão restaura acesso à internet e redes sociais após três dias de bloqueio
Protestos pela libertação de Saad Rizvi em Ghanta Ghar Chowk, Faisalabad, Paquistão, 19 de abril de 2019 (Foto: Reprodução/Twitter/Tehreek Labbaik Pakistan)

O motivo para a prisão de Rizvi tem a ver com o envolvimento do político nas manifestações anti-França que movimentam o Paquistão desde o final do ano passado. Em outubro, o Paris condenou o ataque ao professor Samuel Paty, 47, morto após mostrar charges do profeta Maomé em sala de aula.

Qualquer representação de Maomé é proibida no Islã e é considerada ofensiva pelos muçulmanos. O TLP iniciou uma campanha de protestos pela expulsão do embaixador francês.

Negociação e policiais sequestrados

Apesar dos bloqueio, os tumultos no Paquistão não cessaram. O governo paquistanês prometeu discutir a questão em fevereiro. Líderes do TLP alegam que Islamabad violou o suposto acordo. Na quarta-feira (14), o governo paquistanês prometeu banir o TLP do país, conforme as leis antiterrorismo locais.

Em meio aos confrontos, apoiadores do TLP atacaram uma delegacia de Lahore e fizeram policiais como reféns, nesta segunda (19). À Associated Press, o ministro do Interior, Sheikh Rashid Ahmad, afirmou que 11 agentes estavam no local. Os radicais libertaram o grupo após uma rodada de negociações.

Segundo Ahmad, os protestos continuaram nesta segunda-feira com 192 bloqueios de estradas e rodovias em todo o país. A grande maioria dos pontos já está liberado, informou.

Tags: