ONU: FMI aponta prioridades para recuperação econômica pós-pandemia

Prioridades incluem prudência em políticas econômicas, mais solidez em investimentos e foco na ação climática
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Material veiculado originalmente na agência de notícias da ONU (Organização das Nações Unidas)

A diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kristalina Georgieva, apontou três necessidades para o momento de recuperação da pandemia.

A economista citou como prioridades a prudência em políticas econômicas e nas instituições, solidez no investimento em pessoas e a concentração nas mudanças climáticas.

ONU: FMI aponta prioridades para recuperação econômica pós-pandemia
A diretora do FMI, Kristalina Georgieva, em encontro com lideranças econômicas em outubro de 2017 (Foto: Banco Mundial/Simone D. McCourtie)

Pobreza

Conforme Georgieva, a pandemia já ceifou mais de 1 milhão de vidas. Ela enfatizou a “calamidade econômica” com a iminente contração da economia mundial em 4,4% este ano, a baixa da produção de US$ 11 trilhões em 2021 e o primeiro aumento da pobreza em décadas.

Em relação às políticas prudentes, a chefe do FMI defendeu estruturas sólidas de médio prazo para políticas monetárias, fiscais e financeiras. Estas podem ajudar a criar confiança e a resiliência necessárias para o futuro quando aplicadas com reformas para impulsionar o comércio, a competitividade e a produtividade.

As recomendações incluem vigilância cuidadosa sobre os riscos dos altos níveis de endividamento, que devem aumentar de forma significativa em 2021. Em economias avançadas as dívidas poderão representar 125% do PIB (Produto Interno Bruto). Nos mercados emergentes a proporção deve chegar a 65% e nos países de baixa renda 50%.

Georgieva lembrou ainda que o FMI tem apoiado o alívio da dívida em economias menos desenvolvidas e, tal como o Banco Mundial, a extensão pelo G20 das maiores economias mundiais da Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida.

“Nesse sentido, a iniciativa ainda deve ser reestruturada sem demora onde é insustentável”, disse.

Sistemas de saúde

Como segundo imperativo, a chefe do FMI apontou que as pessoas devem estar no centro das políticas e que a pandemia expôs a importância de sistemas de saúde fortes.

Georgieva realçou ainda que o aumento da desigualdade e a rápida mudança tecnológica exigem fortes sistemas de educação e treinamento para abrir mais as oportunidades e reduzir disparidades.

Uma das questões é a igualdade de gênero que “pode ser uma virada de jogo global”. Para os países com maiores lacunas de gênero, abordar o problema poderia aumentar o PIB em uma média de 35%.

Outra proposta é investir nos jovens que carecem de acesso à saúde, educação e à internet. Esse último abre “portas para a economia digital”, e, em consequência, gera mais emprego e desenvolvimento futuro.

ONU: FMI aponta prioridades para recuperação econômica pós-pandemia
Crianças sem acesso à internet estudam via rádio durante a pandemia na zona rural da comunidade de Paor Kekchong, no Camboja, em novembro de 2020 (Foto: Unicef/Antoine Raab)

Digitalização

Um exemplo é a expansão das redes de internet. Se o acesso crescer em até 10% da população na África Subsaariana, o PIB per capita aumentaria em até quatro pontos percentuais. Outra vantagem da digitalização é a inclusão financeira que apoiaria o combate à pobreza.

Por último, Georgieva enfatizou o foco na ação climática destacando os danos diretos de cerca de US$ 1,3 trilhão após desastres climáticos na última década.

Em pesquisa recente, o FMI apontou que a combinação de investimento verde e aumento de custos de carbono apoiariam a meta de zero emissões até 2050. Como consequência, seriam criados milhões de novos empregos.

“O momento de recuperação é uma oportunidade histórica de construir um mundo mais verde, próspero e com mais empregos”, disse a economista.

Empréstimos

O FMI já destinou mais de US$ 100 bilhões em empréstimos. Segundo o órgão, são necessários recursos além dos substanciais US$ 1 trilhão para apoiar os países nesta fase de crise.

A meta é continuar dando atenção especial às necessidades urgentes dos mercados emergentes e países de baixa renda.

De acordo com a diretora-gerente a ênfase será dada aos Estados mais pobres para o pagamento de equipes de saúde, proteção dos mais vulneráveis e apoio à economia.

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