Coronavírus

Senado da Polônia rejeita proposta de eleição por correio

Pleito que elegerá novo presidente está marcado para domingo (10); oposição pede adiamento, mas governo recusa

O Senado da Polônia rejeitou nesta terça (5) a proposta do governo de realizar as eleições presidenciais marcadas para o próximo domingo (10) por correio, por causa da pandemia do coronavírus. As informações são da agência de notícias Reuters.

O governo afirma que seria mais seguro realizar o pleito pelo correio, em vez de usar cabines de votação. De acordo com dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), até esta terça, a Polônia registrava 14 mil casos confirmados da doença e quase 700 mortes.

Os partidos de oposição, que são maioria no Senado, alegam que o envio das cédulas por correio não diminui o risco à saúde ou a segurança eleitoral.

A palavra final cabe à Câmara Baixa do Parlamento, onde os governistas têm uma maioria considerada frágil. A votação está marcada para o fim desta semana.

Atual presidente Andrzej Duda foi o único candidato a fazer campanha na Polônia diante de restrições para conter o coronavírus (Foto: Reprodução/Twitter)

Polêmica

A data das eleições, em meio à pandemia do coronavírus, se tornou motivo de polêmica no país. O partido do governo, PIS (Paz e Justiça), é acusado de colocar o próprio ganho político à frente da saúde pública. A oposição pede a adiamento do pleito por alguns meses.

O governo se recusa a ceder, após pesquisas de opinião mostrarem que o atual mandatário, Andrzej Duda, teria uma vitória esmagadora se as eleições ocorressem já. Duda, filiado ao PIS até 2015 e sem partido desde então, é o aliado que o partido no poder precisa para passar sua agenda conservadora.

Existe ainda o receio de que, se as eleições forem adiadas, Duda deixe de ser favorito. Com o adiamento, a desaceleração da economia polonesa, devido aos impactos causados pelo coronavírus, entraria na pauta da opinião púbica.

Críticos afirmam que apenas o atual presidente foi capaz de fazer uma campanha antes da eleições. Já os demais candidatos acabaram afetados pelas restrições impostas pelo governo para evitar a disseminação do Covid-19.

Outro problema da votação por correio é a de que uma mudança tão próxima a data do pleito torna impossível garantir que todos os eleitores recebam as cédulas.

Boicote

Segundo a agência de notícias Associated Press, todos os ex-presidentes poloneses ainda vivos e alguns ex-primeiros-ministros planejam boicotar o que chamam de “pseudo-eleições”.

O ex-primeiro-ministro e ex-líder da União Europeia, Donald Tusk, comparou a situação política na Polônia à autocrática Belarus. Nesta terça em sua conta no Twitter, Tusk afirmou que há uma piada que diz que “nunca se sabe quando ou se as eleições acontecerão, mas se sabe quem vai ganhar”.

A OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) também manifestou preocupação em relação ao pleito marcado para o próximo domingo. Para a entidade, uma eleição democrática requer um debate aberto e campanhas genuínas.

Parcelas da população pretendem boicotar as eleições, por não saberem se os votos serão realmente mantidos em sigilo e se serão justos. Boatos de que cédulas haviam sido postadas na internet ou que estavam jogadas pelas ruas só aumentaram a desconfiança da população.