Com medo da polícia, ativistas na Tailândia criam código próprio

Linguagem oferece proteção e até xingamentos discretos; apelido de premiê é 'Donald Dumb', em referência a Trump
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Além de ganharem força nos últimos 90 dias, as manifestações da Tailândia também têm um código próprio para a livre comunicação entre os ativistas. Com uma maioria de estudantes, os protestos têm referências à cultura pop, como as sagas “Jogos Vorazes” e “Harry Potter”.

Os códigos misturam elementos em tailandês, inglês e personagens históricos e da ficção. Por meio deles, é possível alertar desde violência policial e possíveis espiões até xingar discretamente as autoridades do país.

Os protestos eclodiram na Tailândia no início de julho, em escala pequena. A partir do mês seguinte, ganharam proporção na defesa de um Estado com menos poderes concentrados no rei Maha Vajiralongkorn.

Em um levantamento do jornal de Bangkok, “Khao Sod“, repórteres conseguiram identificar algumas das mensagens codificadas pelos manifestantes.

Com receio da polícia, ativistas da Tailândia criam código próprio
Ilustração em referência aos manifestantes da Tailândia. Com os três dedos em riste, eles referenciam o símbolo de resistência da trilogia Jogos Vorazes (Foto: Reprodução/Twitter)

Um exemplo é o termo “Donald Dumb” – uma referência ao presidente dos EUA, Donald Trump, usado para nomear o primeiro-ministro do país, Prayut Chan-ocha.

O apelido vem da “habilidade do premiê de atacar tudo que está em seu caminho”, apontou o jornal. Os manifestantes pedem pela renúncia de Prayuth e o acusam de corrupção e perseguição a oposicionistas.

Código para proteção

O termo “minions” refere-se aos monarquistas ou soldados voluntários geralmente vestidos com camisas amarelas contrários às manifestações. A comparação está na criaturas homônimas, de “Meu Malvado Favorito”.

Quando são vistos nos protestos, os ativistas tendem a sair de perto, como também ocorre após a chegada da polícia. Para alertar um possível ataque policial, os manifestantes usam os termos “Kaeng Te Po”, que refere-se a um prato de curry picante tailandês.

Ao separarmos as sílabas, no entanto, a mensagem vira o código Kaeng (engane), The (conectivo, em inglês) e Po (abreviação de Police). O objetivo é conduzir a polícia a locais errados. O código já enganou a muitos repórteres, registrou o jornal.

Com receio da polícia, ativistas da Tailândia criam código próprio
Milhares de estudantes fazem o símbolo de resistência da saga Jogos Vorazes em protestos em Bangkok, Tailândia, em 16 de outubro de 2020 (Foto: Twitter/Anonymous)

Para identificar possíveis espiões, os ativistas da Tailândia os denominam de “Natasha Romanoff” – o nome da super-heroína Viúva Negra, da Marvel Comics. Os espiões seriam supostos “minions” sem as camisetas amarelas misturados em meio aos protestos.

Já o apelido para a polícia tailandesa é “Mocha”, em referência à cor cáqui de suas fardas, diz o levantamento. “Eles podem ser comparados com xícaras de café sabor chocolate”.

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