Lukashenko autorizou assassinatos políticos na Alemanha, segundo áudio

Áudio mostra chefe da espionagem de Belarus dizendo que presidente "buscava resultados" com atentados em 2012
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O presidente de Belarus, Aleksander Lukashenko, autorizou assassinatos políticos na Alemanha em 2012, mostra uma gravação obtida pelo portal EUobserver.

Apesar de os crimes nunca terem acontecido, o complô gera uma importante prova contra o ditador. Lukashenko foi reconduzido ao cargo pela sexta vez em agosto de 2020 e está há 24 anos no poder.

Na gravação de 24 minutos, o chefe de espionagem belarrusso, Vadim Zaitsev, fala com oficiais do Alpha Group, da KGB, uma unidade de elite contra o terrorismo.

Zaitsev orienta a formação de uma força-tarefa clandestina para atacar os dissidentes do regime com explosivos e veneno. Ele cita pelo menos três inimigos políticos: o ex-diretor penitenciário Oleg Alkaev, o ex-coronel Vladimir Borodach e o ex-chefe anticorrupção Vyacheslav Dudkin.

Lukashenko autorizou assassinatos políticos na Alemanha, mostra gravação
Presidente de Belarus, Alexander Lukashenko (Foto: Departamento de Estado dos EUA/Reprodução)

Crimes planejados

Segundo Zaitsev, Lukashenko teria investido mais de US$ 1,5 milhão para essas “operações” e “buscava resultados”. “É importante para mim que ninguém pense na KGB”, diz Zaitsev.

“Podemos afogar ou atirar em alguém, claro. Mas como iniciar uma explosão casual ou um incêndio criminoso e não deixar rastros, assassinato e coisas assim – isso não está claro”.

O chefe da espionagem belarrussa também discute o assassinato do jornalista Pavel Sheremet, morto após uma explosão de carro-bomba em 2016 na Ucrânia. “Devíamos trabalhar em Sheremet, que é um grande pé no saco”, sugere.

“Vamos plantar [uma bomba] e esse maldito rato será derrubado em pedaços – pernas em uma direção, braços na outra. Se tudo [parecer] causas naturais, não entrará nas mentes das pessoas da mesma forma”, disse Zaitsev.

O ativista da oposição belarrussa Igor Makar, responsável pela gravação, garante a veracidade do áudio. Um exame forense, no entanto, terminou como inconclusivo.

Com partes inaudíveis, especialistas atestaram que áudio pode ter sido editado pelo menos uma vez. Além de Makar, outra fonte que pediu para não ser identificada garantiu a legitimidade da prova.

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