A Crimeia enfrenta uma nova fase da guerra entre Rússia e Ucrânia. Ataques de drones ucranianos contra instalações de energia e combustível provocaram apagões, falta de gasolina, dificuldades no abastecimento de água e queda no turismo na península anexada pela Rússia em 2014. As informações são do The Wall Street Journal.
Segundo moradores, os impactos já afetam o cotidiano. Serviços públicos deixaram de funcionar normalmente, enquanto postos de combustíveis fecharam e comerciantes enfrentam dificuldades para manter as atividades.
A campanha ucraniana intensificou os ataques contra infraestrutura considerada estratégica pela Rússia. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, classificou a ofensiva como uma forma de aplicar “sanções de longo alcance” ao território controlado por Moscou.

As autoridades locais decretaram estado de emergência após milhares de moradores e turistas deixarem a península pela Ponte de Kerch. Além disso, ataques de drones dificultaram o envio de suprimentos vindos da Rússia continental.
Em Sebastopol, uma das principais cidades da Crimeia, moradores afirmam que estão há dias sem energia elétrica. Muitos supermercados fecharam porque não conseguem conservar alimentos refrigerados, enquanto caixas eletrônicos e parte do transporte público deixaram de operar normalmente.
Também há relatos de interrupções em serviços como creches e coleta de lixo. A falta de combustível levou parte da população a recorrer ao mercado negro, onde o preço da gasolina chegou a cerca de seis vezes o valor normal.
Turismo sofre forte impacto
O turismo, um dos principais setores da economia da Crimeia, também registra perdas.
De acordo com a Associação Russa de Operadores Turísticos, as reservas para a temporada de verão caíram aproximadamente 50% nas primeiras semanas da estação. Com trens interrompidos, balsas suspensas e postos de combustíveis fechados, muitos visitantes desistiram da viagem.
Quem ainda chega à península depende de grupos em aplicativos de mensagens para encontrar postos funcionando ou localizar vendedores de combustível.
Rússia tenta manter estabilidade
Enquanto os problemas aumentam, o Kremlin mantém um discurso de normalidade. Autoridades russas negam rumores sobre fuga de funcionários públicos e afirmam que as dificuldades são temporárias.
As declarações ocorrem poucos meses antes das eleições parlamentares russas, previstas para setembro. O governo busca evitar que os efeitos da guerra provoquem instabilidade política interna.
Desde a anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014, a península tornou-se um dos principais símbolos da política externa de Vladimir Putin. Agora, porém, a guerra deixa de atingir apenas instalações militares e passa a afetar diretamente a vida de moradores, turistas e a economia local.