China diz ter criado “arma cibernética nuclear” com IA, afirma executivo de empresa sancionada

Declaração do fundador da Qihoo 360 reacende alerta global sobre uso militar da inteligência artificial em ciberataques e disputa tecnológica entre China e EUA

A China voltou ao centro do debate global sobre segurança digital após a declaração de que teria desenvolvido uma chamada “arma cibernética nuclear” baseada em inteligência artificial. A afirmação foi feita por Zhou Hongyi, fundador da Qihoo 360, durante uma conferência sobre segurança da internet no país. As informações são do Yahoo News.

Segundo Zhou, a empresa teria criado um sistema de IA com capacidades semelhantes às do Claude Mythos, tecnologia desenvolvida pela Anthropic, conhecida por seu uso avançado na detecção de vulnerabilidades em softwares.

Zhou Hongyi (Foto: WikiCommons)

O executivo descreveu o sistema chinês, chamado Tulongfeng, como uma “versão do Mythos”, capaz de identificar falhas de segurança em grande escala e potencialmente apoiar operações ofensivas e defensivas no campo cibernético.

As afirmações de Zhou não foram verificadas por fontes independentes. Ainda assim, especialistas em segurança digital alertam que o avanço de sistemas de IA aplicados à cibersegurança é uma tendência global e com potencial de impacto significativo em ataques e defesas digitais.

A empresa Qihoo 360 já está sob sanções dos Estados Unidos desde 2020, sob alegações de vínculos com o setor militar chinês. O governo norte-americano também acusa a companhia de atuar dentro de uma lógica de “fusão civil-militar” ligada ao ecossistema de defesa da China.

A empresa nega as acusações.

Corrida tecnológica

A discussão ocorre em meio ao aumento das tensões entre potências globais sobre o uso militar da inteligência artificial. A aliança de inteligência Five Eyes alertou recentemente que ataques cibernéticos baseados em IA podem se tornar altamente destrutivos em um curto espaço de tempo.

Segundo o grupo, o prazo para que esse tipo de tecnologia seja utilizado em larga escala “não é de anos, mas de meses”.

O alerta reforça preocupações de governos ocidentais sobre o uso de IA para exploração automática de vulnerabilidades, o que poderia acelerar ataques contra infraestruturas críticas, empresas e sistemas governamentais.

O que é o Claude Mythos

O sistema Claude Mythos, citado por Zhou, teria sido desenvolvido para identificar milhares de falhas de software desconhecidas e auxiliar na segurança digital. De acordo com a Anthropic, o modelo foi inicialmente restrito por preocupações com seu potencial de uso indevido.

Posteriormente, teria sido disponibilizado a clientes selecionados e testado por agências de segurança dos Estados Unidos, incluindo a NSA, agência responsável por inteligência cibernética.

Mais tarde, o sistema teria sido retirado de circulação após restrições de exportação impostas pelo governo dos EUA.

Disputa tecnológica

O caso também se insere em um cenário mais amplo de competição tecnológica entre Estados Unidos e China. Empresas de IA ocidentais acusam companhias chinesas de tentar reproduzir modelos avançados por meio de técnicas de “destilação”, que buscam extrair conhecimento de sistemas já existentes.

A Anthropic chegou a acusar a Alibaba de tentar replicar seu sistema Claude por meio de grandes volumes de consultas automatizadas, em uma possível tentativa de engenharia reversa.

“Nova corrida armamentista digital”

Zhou Hongyi afirmou que o desenvolvimento de sistemas de IA cibernética pode ser comparado a uma nova corrida armamentista.

“Antes, as armas nucleares eram um instrumento de dissuasão estratégica. No futuro, a capacidade de encontrar vulnerabilidades pode se tornar a nova dissuasão estratégica”, declarou.

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