O Canal do Panamá deverá encerrar o ano fiscal de 2026 com uma receita superior à previsão inicial de US$ 5,2 bilhões. O resultado é atribuído ao aumento no fluxo de embarcações provocado pelo fechamento temporário do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do comércio mundial. As informações são da Anadolu.
A informação foi divulgada pela Bloomberg com base em declarações de Ilya Espino de Marotta, futura administradora da Autoridade do Canal do Panamá. Segundo ela, a arrecadação até o fim do exercício, em 30 de setembro, será “um pouco maior” do que o previsto inicialmente.

Alta no número de embarcações
Durante o período de interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, o Canal do Panamá recebeu entre 40 e 41 navios por dia. Antes disso, a média era de 34 a 35 travessias diárias.
Com a reabertura da rota no Oriente Médio, o movimento diminuiu para cerca de 36 a 38 embarcações por dia. Ainda assim, as reservas para junho e julho seguem elevadas, indicando que a demanda permanece acima dos níveis habituais.
Além do maior volume de navios, a receita também foi impulsionada pelos leilões realizados para embarcações interessadas em obter prioridade na travessia da hidrovia.
Exportações de energia impulsionaram o tráfego
Segundo o relatório, um dos principais fatores para o aumento da movimentação foi o crescimento das exportações de energia dos Estados Unidos para a Ásia.
Navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL) ampliaram o uso do Canal do Panamá após compradores do Japão, da China e da Coreia do Sul buscarem fornecedores americanos para substituir parte da oferta do Oriente Médio afetada pelo conflito com o Irã.
Além disso, embarcações transportando petróleo bruto dos Estados Unidos com destino aos mercados asiáticos também contribuíram para o aumento do tráfego.
Mesmo após a reabertura do Estreito de Ormuz, o Canal do Panamá continua recebendo, em média, um navio de GNL por dia.
Projetos bilionários estão previstos até 2032
Ilya Espino de Marotta assumirá oficialmente a administração do Canal do Panamá em setembro, para um mandato que vai de 2026 a 2033.
Ela ficará responsável pela execução de um pacote de obras estimado em cerca de US$ 8,5 bilhões. Entre os projetos estão uma nova barragem, um reservatório, dois portos e um duto destinado ao transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP) e outros hidrocarbonetos.
A previsão é que todas as obras sejam concluídas até 2032.
Segundo a Bloomberg, o financiamento da barragem já está assegurado. Já os recursos para os portos e o duto poderão ser obtidos por meio dos mercados internacionais e de empréstimos multilaterais.
Tensões
A importância estratégica do Canal do Panamá também voltou ao centro das tensões internacionais.
No ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou retomar o controle da hidrovia, alegando uma suposta influência chinesa sobre sua operação.
Posteriormente, a Suprema Corte do Panamá anulou o contrato da empresa CK Hutchison Holdings, sediada em Hong Kong, para administrar dois portos próximos ao canal. Após a decisão, o governo panamenho assumiu temporariamente a administração dessas instalações.