BRICS suspende expansão e adia entrada de novos países após divergências internas

Declarações do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, indicam que o BRICS decidiu interromper temporariamente sua ampliação para administrar diferenças políticas, econômicas e geopolíticas entre os atuais integrantes

O BRICS, grupo que reúne BrasilRússiaÍndiaChinaÁfrica do Sul e outras nações, suspendeu temporariamente seus planos de expansão e não pretende admitir novos membros nos próximos anos. A informação foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, durante o XII Fórum Internacional Científico e de Especialistas “Leituras de Primakov“, realizado em Moscou no fim de junho, ao afirmar que o grupo decidiu priorizar a consolidação da atual estrutura diante das divergências internas entre os países integrantes. As informações são do Modern Diplomacy.

Segundo Lavrov, o rápido crescimento do bloco, que passou de cinco para dez membros, e a criação da categoria de países parceiros tornaram mais complexa a busca por consenso nas decisões. O BRICS funciona por meio de acordos unânimes entre seus integrantes, o que exige maior alinhamento político e diplomático antes de qualquer nova ampliação.

Lideranças em sessão da 17ª Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro, julho de 2025 (Foto: WikiCommons)

A expansão mais recente ocorreu sob a presidência russa do BRICS, em 2024, quando países como Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia passaram a integrar o grupo. Além disso, outros 13 países receberam o status de parceiros, ampliando significativamente a influência da associação.

Durante seu discurso, Lavrov afirmou que o crescimento acelerado trouxe novos desafios para a governança do bloco. Segundo ele, existem diferenças políticas, econômicas e geopolíticas entre os atuais membros que precisam ser administradas antes da entrada de novos países.

O chanceler russo destacou que a decisão não representa o encerramento definitivo do processo de expansão, mas uma pausa para permitir que os novos integrantes se adaptem à dinâmica interna do BRICS. De acordo com ele, a prioridade é fortalecer a cooperação entre os atuais membros e preservar o princípio do consenso que orienta todas as decisões da associação.

Lavrov também defendeu que o BRICS continue ampliando sua influência internacional por meio da participação de países parceiros em reuniões e iniciativas conjuntas. Segundo o ministro, esse formato permite aumentar o alcance global do bloco sem comprometer sua capacidade de tomar decisões consensuais.

Ao abordar o cenário internacional, Lavrov voltou a criticar os Estados Unidos e os países ocidentais, afirmando que ainda resistem ao avanço de uma ordem mundial multipolar. Na avaliação do ministro, o BRICS representa uma plataforma de cooperação para países do Sul Global interessados em ampliar sua participação nas decisões internacionais.

As declarações também reforçam uma posição que a diplomacia russa já vinha manifestando desde 2024. Naquele ano, durante reuniões ministeriais do BRICS, Moscou já havia defendido uma pausa nas novas adesões para permitir a integração dos países recém-incorporados ao bloco.

Apesar da suspensão temporária da expansão, Lavrov afirmou que diversos países continuam demonstrando interesse em ingressar no BRICS. Segundo ele, o grupo deverá buscar novas formas de cooperação com essas nações, especialmente por meio da categoria de países parceiros, enquanto trabalha para consolidar sua atual composição.

A expectativa é que futuras discussões sobre novas adesões ocorram apenas depois que o bloco considerar concluído o processo de adaptação dos novos membros e alcançar maior convergência entre seus integrantes.

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