O bilionário e financista americano Todd Boehly montou um consórcio para disputar a compra dos ativos estrangeiros da Lukoil, uma das maiores empresas de petróleo da Rússia, segundo o Financial Times. A companhia está sob sanções dos Estados Unidos desde 2025 e procura vender operações fora do território russo.
O grupo reunido por Boehly inclui a US International Development Finance Corporation (DFC), agência do governo americano que financia projetos no exterior; o xeque Tahnoon bin Zayed al-Nahyan, irmão do presidente dos Emirados Árabes Unidos; e a família catariana Al-Khayyat. Segundo a reportagem, integrantes do grupo mantêm relações com a Casa Branca e com membros da família do presidente Donald Trump em negócios nos setores imobiliário e energético.

A participação da DFC coloca uma agência do governo dos Estados Unidos diretamente no consórcio que tenta adquirir ativos de uma empresa russa atingida pelas sanções de Washington. O negócio ainda depende de autorizações do governo americano e não foi concluído.
Boehly deixou recentemente a estrutura de controle do Chelsea. O clube inglês anunciou na semana passada que a Clearlake Capital comprará sua participação e a de Mark Walter, assumindo o controle integral da equipe. O negócio foi avaliado em cerca de £ 950 milhões (cerca de R$ 6,5 bilhões).
Agora, o empresário tenta entrar em uma negociação que já tinha outro comprador. A Carlyle, uma das maiores gestoras de investimentos dos Estados Unidos, chegou a um acordo com a Lukoil em janeiro para adquirir seus ativos estrangeiros. A operação ainda depende de aprovação de Washington.
A Reuters informou anteriormente que autoridades americanas haviam retardado a venda dos ativos da Lukoil para utilizá-los como instrumento de pressão sobre Moscou nas negociações relacionadas ao fim da guerra na Ucrânia.
Segundo fontes ouvidas pelo Financial Times, a proposta liderada por Boehly está em estágio avançado. A informação, porém, não significa que o negócio esteja fechado, e a aquisição ainda depende das aprovações necessárias.
Os ativos estrangeiros da Lukoil são avaliados em aproximadamente US$ 20 bilhões e incluem operações de petróleo e gás, refino e distribuição fora da Rússia. O portfólio tornou-se um dos principais negócios envolvendo ativos russos no exterior desde a ampliação das sanções ocidentais após a invasão da Ucrânia.
A disputa também evidencia a importância das autorizações americanas para a reorganização dos ativos russos no mercado internacional. Além da Carlyle e do grupo de Boehly, outros investidores demonstraram interesse no portfólio da Lukoil desde o início do processo de venda.
O caso ocorre em um momento de reorganização dos investimentos estrangeiros ligados à Rússia. Desde 2022, empresas ocidentais enfrentam restrições para manter, vender ou repatriar ativos no país, enquanto Moscou também adotou medidas para assumir o controle de negócios pertencentes a empresas estrangeiras.