Um artigo publicado pelo think tank norte-americano The National Interest reacendeu o debate sobre a presença da frota pesqueira chinesa nas águas da América Latina. No texto, o analista Rob Pierce defende que os Estados Unidos ampliem sua atuação marítima na região para combater a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (IUU) atribuída a embarcações chinesas.
Segundo o autor, a atividade da China no Hemisfério Ocidental representa um desafio crescente para os interesses econômicos e de segurança dos Estados Unidos. O artigo sustenta que a maior frota pesqueira de águas distantes do mundo, com mais de 16 mil embarcações, tem sido utilizada não apenas para abastecer o mercado chinês de frutos do mar, mas também como instrumento de influência geopolítica.

Pierce argumenta que a presença frequente de embarcações chinesas próximas às zonas econômicas exclusivas de países sul-americanos, como Equador e Peru, contribui para o esgotamento de recursos pesqueiros, afeta ecossistemas marinhos e aumenta a dependência econômica de nações da região em relação a Beijing.
O texto cita uma investigação do Congresso dos Estados Unidos que descreve a frota pesqueira chinesa como uma ferramenta estratégica capaz de apoiar objetivos diplomáticos e ampliar a presença marítima do país em áreas distantes de seu território.
Entre os impactos apontados pelo autor estão riscos à segurança alimentar, prejuízos econômicos para comunidades pesqueiras locais, fortalecimento da influência chinesa em países latino-americanos e desafios à credibilidade dos compromissos de segurança dos Estados Unidos na região.
Como resposta, Pierce defende que a Guarda Costeira dos EUA intensifique patrulhas conjuntas, treinamentos e operações de fiscalização com países parceiros, além de ampliar o compartilhamento de informações e tecnologias de monitoramento marítimo.
O artigo também relembra o episódio ocorrido em 2020, quando centenas de embarcações chinesas se concentraram nas proximidades das Ilhas Galápagos, no Equador, e em áreas próximas às águas territoriais do Peru. O caso gerou preocupação ambiental e diplomática devido ao impacto sobre estoques pesqueiros considerados estratégicos para as economias locais.
A publicação integra um conjunto de análises que discutem a crescente disputa por influência entre Estados Unidos e China na América Latina, envolvendo temas como comércio, infraestrutura, tecnologia e segurança regional.