Renúncias à cidadania dos EUA atingem maior nível em cinco anos sob governo Trump

Levantamento mostra aumento das renúncias à cidadania americana, impulsionado por questões fiscais, burocráticas e políticas

O número de cidadãos dos Estados Unidos que renunciaram à nacionalidade americana atingiu o maior patamar dos últimos cinco anos, segundo dados divulgados pelo Internal Revenue Service (IRS), a Receita Federal do país, e citados pela CNN.

De acordo com as informações, 4.889 pessoas abriram mão da cidadania dos EUA em 2025, o maior volume registrado desde 2020. A tendência ocorre durante o governo do presidente Donald Trump e tem chamado a atenção de especialistas e organizações que prestam assistência a americanos residentes no exterior.

A organização Americans Overseas, que atua no suporte a cidadãos norte-americanos que vivem fora do país, afirma ter observado um aumento na procura por informações relacionadas ao processo de renúncia de cidadania. A entidade projeta crescimento adicional de 15% no número de expatriados em 2026.

Donald Trump (Foto: U.S. Government/Divulgação)

Segundo Daan Durlacher, cofundador da organização, cerca de 40 mil pessoas demonstraram interesse em iniciar ou já estão conduzindo o processo de renúncia. A maioria possui dupla cidadania, condição necessária para que a pessoa não fique sem nacionalidade após a conclusão do procedimento.

Tributação é um dos principais fatores

Entre os motivos apontados por quem decide abrir mão da cidadania americana está a legislação tributária dos Estados Unidos. O país adota um sistema que exige que seus cidadãos declarem impostos independentemente do local onde residam ou obtenham renda.

A exigência está prevista na Lei de Conformidade Tributária de Contas Estrangeiras (FATCA, da sigla em inglês), em vigor desde 2014. Especialistas afirmam que a regra gera obrigações fiscais e burocráticas adicionais para cidadãos que vivem permanentemente no exterior.

Para concluir a renúncia à cidadania, o interessado deve comprovar residência permanente em outro país, possuir outra nacionalidade e estar com as obrigações fiscais dos últimos cinco anos regularizadas junto às autoridades americanas.

Custo do processo foi reduzido

Outro fator citado por especialistas é a redução da taxa cobrada para formalizar a renúncia. O valor, que anteriormente era de US$ 2.350, foi reduzido para US$ 450 pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Apesar da diminuição do custo, o procedimento continua envolvendo etapas consulares, análise documental e juramento formal perante autoridades diplomáticas americanas.

Efeito político divide opiniões

Especialistas ouvidos pela imprensa americana observam que períodos eleitorais costumam provocar aumento na procura por informações sobre renúncia de cidadania.

Segundo o consultor tributário Jonathan Tiegerman, que atua na Suíça, a polarização política nos Estados Unidos influencia parte dessas decisões, especialmente após eleições presidenciais.

Ainda assim, organizações que acompanham o tema afirmam que questões fiscais, burocráticas e relacionadas à vida no exterior continuam sendo os fatores mais frequentemente citados por quem opta por deixar de ser cidadão americano.

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