China condena ex-ministros da Defesa à prisão perpétua após penas de morte suspensas

Wei Fenghe e Li Shangfu foram considerados culpados por corrupção em meio à ampla campanha anticorrupção conduzida pelo presidente Xi Jinping nas Forças Armadas chinesas

A China anunciou nesta quinta-feira (7) a condenação de dois ex-ministros da Defesa por corrupção, em um dos casos mais emblemáticos da campanha anticorrupção promovida pelo presidente Xi Jinping dentro das Forças Armadas do país. As informações são da BBC.

Segundo a agência estatal Xinhua, Wei Fenghe e Li Shangfu receberam penas de morte com suspensão condicional por dois anos. Após esse período, as condenações serão automaticamente convertidas em prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional ou redução de pena.

Os dois ex-integrantes do alto escalão militar chinês foram considerados culpados por aceitar subornos e tiveram todos os seus bens pessoais confiscados.

Ex-ministro da Defesa Li Shangfu (Foto: WikiCommons)

A decisão ocorre em meio a uma ampla ofensiva do governo chinês contra casos de corrupção envolvendo autoridades militares e integrantes do Partido Comunista Chinês (PCC) Nos últimos anos, diversos oficiais de alta patente foram afastados ou investigados.

Wei Fenghe comandou o Ministério da Defesa da China entre 2018 e 2023. Já Li Shangfu ocupou o cargo por apenas sete meses, entre março e outubro de 2023.

O desaparecimento de Li da vida pública, em agosto de 2023, gerou especulações internacionais sobre uma possível investigação interna. Dois meses depois, ele foi oficialmente destituído do cargo.

De acordo com investigações divulgadas pela imprensa estatal chinesa, Li Shangfu teria recebido “grandes somas de dinheiro” em propinas e utilizado sua posição para beneficiar aliados políticos e interesses pessoais.

As autoridades chinesas também afirmam que Wei Fenghe recebeu valores elevados em dinheiro e bens de luxo em troca de favorecimentos dentro da estrutura militar.

Campanha anticorrupção de Xi Jinping atinge Forças Armadas

Desde que assumiu o poder, em 2013, Xi Jinping transformou o combate à corrupção em uma das principais bandeiras de seu governo. A campanha já atingiu milhares de integrantes do Partido Comunista, empresários e militares.

Em fevereiro deste ano, Xi declarou que o Exército chinês passou por um “processo revolucionário de reeducação” durante a ofensiva anticorrupção.

Analistas internacionais, porém, apontam que as investigações também podem servir como instrumento político para consolidar o poder do presidente chinês e enfraquecer grupos rivais dentro do governo.

A recente destituição do general Zhang Youxia, um dos militares mais influentes da China, reforçou a percepção de instabilidade nos altos comandos das Forças Armadas chinesas.

O caso de Wei Fenghe e Li Shangfu amplia a pressão internacional sobre o governo chinês e evidencia o impacto da crise interna dentro do setor militar do país asiático.

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