O Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) a dissolução de seu órgão de governo na Faixa de Gaza, encerrando quase duas décadas de administração direta do território e abrindo caminho para a instalação de um comitê tecnocrático palestino. A decisão representa uma das mudanças políticas mais relevantes desde o início da guerra com Israel e pode influenciar a continuidade das negociações para um acordo definitivo de cessar-fogo. As informações são da France24.
Segundo dirigentes do grupo ouvidos pela agência AFP, a estrutura governamental será desfeita e uma personalidade de consenso nacional ficará responsável pela supervisão da transição até que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG) assuma oficialmente as funções civis.
O Hamas controla a Faixa de Gaza desde 2007, quando expulsou do poder o movimento rival Fatah após confrontos internos entre as facções palestinas. Desde então, o grupo passou a exercer tanto o controle militar quanto a administração do território.

Após o início do cessar-fogo firmado em outubro do ano passado, o Hamas passou a sinalizar que estava disposto a deixar a gestão cotidiana de Gaza, embora continuasse rejeitando qualquer acordo que previsse seu desarmamento imediato.
Em declaração à AFP, um dirigente do movimento afirmou, sob condição de anonimato, que a decisão busca facilitar a instalação de uma nova estrutura administrativa aceita pelas diferentes forças políticas palestinas.
Outro representante informou que as demais facções palestinas foram comunicadas da decisão durante uma reunião realizada recentemente no Cairo. Segundo ele, o anúncio foi recebido de forma positiva e visto como um passo importante para viabilizar uma nova administração civil para Gaza.
Apesar da mudança política, os principais obstáculos para um acordo de paz permanecem.
A primeira etapa do cessar-fogo permitiu a troca dos últimos reféns israelenses mantidos pelo Hamas por prisioneiros palestinos detidos por Israel. Entretanto, a segunda fase das negociações, que prevê o desarmamento do grupo e uma retirada gradual das tropas israelenses da Faixa de Gaza, segue travada há meses.
Enquanto isso, Israel ampliou sua presença militar no território e controla atualmente cerca de 70% da Faixa de Gaza.
O Hamas afirma que somente discutirá a entrega de seu arsenal após a criação de uma administração palestina estável e reconhecida para governar o território.
O futuro político de Gaza continua sendo um dos maiores desafios das negociações. Israel rejeita tanto um eventual retorno do Hamas ao poder quanto, neste momento, a retomada da administração pela Autoridade Palestina, sediada em Ramallah, o que mantém indefinido quem governará o território após o fim da guerra.