A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, defenderam que a Europa entre em uma nova fase de fortalecimento militar para estar preparada diante de um cenário internacional cada vez mais instável. Em artigo publicado neste domingo (5), ambos afirmam que “a era da terceirização da defesa europeia chegou ao fim” e que o continente precisa ampliar rapidamente sua capacidade de produção de equipamentos militares. As informações são do The Economist.
Segundo os líderes, a principal lição extraída dos conflitos recentes é que a paz depende de uma capacidade de dissuasão robusta. Eles argumentam que, para evitar uma guerra, os países europeus precisam estar preparados para enfrentá-la.

No texto, Von der Leyen e Rutte destacam que os investimentos em defesa já estão aumentando em diversos países. Novas fábricas estão sendo abertas, linhas de produção estão sendo ampliadas e empresas de tecnologia passaram a desempenhar um papel cada vez mais importante no desenvolvimento de sistemas militares.
Eles citam como exemplos a fabricação de drones, veículos terrestres não tripulados, equipamentos de guerra eletrônica, sistemas de defesa aérea e tecnologias de combate a drones. Segundo os autores, até montadoras de automóveis vêm adaptando suas fábricas para produzir componentes destinados ao setor de defesa.
Apesar do avanço, os líderes afirmam que ainda existem grandes deficiências. Entre as prioridades estão a ampliação da frota de caças, aeronaves de reabastecimento em voo, navios, submarinos, sistemas antimísseis e equipamentos de defesa aérea. Eles também alertam que o apoio militar enviado à Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio reduziram significativamente os estoques de armamentos da Europa.
O artigo também dedica espaço às ameaças representadas por adversários estratégicos. Segundo Von der Leyen e Rutte, a economia da Rússia passou a funcionar em ritmo de guerra, destinando mais de 40% do orçamento federal ao setor de defesa. Os dois afirmam ainda que seria um erro acreditar que Moscou reduzirá sua capacidade militar após o fim da guerra na Ucrânia.
Além da Rússia, os autores apontam o fortalecimento da cooperação entre Moscou, China, Irã e Coreia do Norte. Eles lembram que o Teerã fornece drones e tecnologia militar aos russos desde 2022 e destacam o crescimento acelerado da indústria bélica chinesa, que já reúne sete das 15 maiores empresas de defesa do mundo.
Para enfrentar esse cenário, os líderes defendem uma integração ainda maior entre a União Europeia, a Otan e seus aliados. Segundo eles, a cooperação entre governos, indústrias e parceiros internacionais permitirá acelerar a inovação, aumentar a escala de produção e reduzir custos.
Na avaliação de Von der Leyen e Rutte, Europa e América do Norte reúnem capacidade econômica, tecnológica e industrial suficiente para fortalecer a base de defesa do Ocidente. A prioridade, afirmam, é produzir mais, melhor e mais rapidamente para garantir a segurança coletiva diante dos desafios geopolíticos das próximas décadas.