Ásia e Pacífico

Em cúpula China-UE, pedido de consenso e transparência norteia discussão

Evento foi marcado por postura apaziguadora chinesa, enquanto europeus pediram adesão a regras internacionais

Ao resumir a 22ª Cúpula China-UE (União Europeia), que aconteceu nesta segunda (22) por vídeo conferência, os chineses ressaltavam o “consenso” entre o país e o bloco enquanto os europeus salientavam as diferenças de visão sobre democracia e práticas de comércio.

Segundo o presidente do Conselho Europeu, o encontro priorizou quatro áreas: o novo coronavírus, a recuperação econômica, o relacionamento do bloco com a China e as questões de direitos humanos, hoje personificadas na questão de Hong Kong.

O encontro China-UE foi pontuado por discussões “francas e abertas”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Também participaram o presidente do Conselho Europeu Charles Michel e o chefe das Relações Exteriores do bloco, Josep Borell.

Michel reconheceu que os dois lados “não compartilham os mesmos valores, sistemas políticos ou abordagem quanto ao multilateralismo”. Já von der Leyen classificou a relação com a China de “a mais importante, estrategicamente, mas a mais desafiadora”.

Em cúpula China-UE, pedido de consenso e transparência norteia discussão
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen (à esq.) e o presidente do Conselho Europeu Charles Michel, na Cúpula China-UE nesta segunda (22) (Foto: União Europeia)

Para Michel, em declaração após o encontro China-UE, o relacionamento deve estar “baseado na transparência e na reciprocidade. Esta é a mensagem que foi passada”.

Também entraram na pauta as disputas territoriais no Mar da China Meridional, o Irã, o Afeganistão e a Coreia, além do pedido de “aderência a padrões internacionais de sustentabilidade, sobretudo na África”.

Coletiva de imprensa com Ursula von der Leyen após a Cúpula UE-China (Vídeo: YouTube/Comissão Europeia)

Delegação chinesa

O lado chinês foi representado pelo premiê Li Keqiang. O presidente Xi Jinping participou de uma ligação que durou cerca de uma hora, segundo o jornal “South China Morning Post“, de Hong Kong.

O premiê ressaltou que há mais “cooperação” que “competição” no horizonte das relações entre a China e o bloco europeu, informou a Reuters.

Segundo a agência de notícias chinesa Xinhua, Xi Jinping afirmou na conversa que a China busca “terreno comum, mesmo que guardando as diferenças”. O mandatário adotou postura apaziguadora, pedindo cooperação entre as duas partes.

China e UE tem no radar um acordo de investimentos, que pode ser assinado até o fim deste ano. Também procuram consensos para reanimar a OMC (Organização Mundial do Comércio), que assumiu papel coadjuvante durante a crise do novo coronavírus.

Segundo comunicado oficial de Beijing, “líderes dos dois lados esperavam atingir um acordo de alto nível e ambicioso, e concordaram em conduzir os mais altos esforços para alcançar consenso nas regras de competição justa e outras áreas assim que possível”. A informação é do jornal de Hong Kong.

Não houve declaração mútua ao final da cúpula, praxe neste tipo de evento.