Economia

Em meio a boicote e queda nas vendas, Ericsson decide reduzir operação na China

Empresa teve uma queda brusca na participação em licitações do setor de telecomunicações, resposta da China ao veto sueco imposto à Huawei

A Ericsson, gigante sueca das telecomunicações, anunciou na terça-feira (19) que pretende reduzir sua operação na China. A decisão ocorre em meio a uma queda nas vendas na nação asiática, fruto de um boicote contra a empresa após a Suécia vetar os equipamentos 5G da chinesa Huawei. As informações são da agência Reuters.

Embora a China seja um dos principais mercados de atuação da Ericsson, o boicote não impediu a empresa de anunciar um balanço no terceiro trimestre melhor que o projetado. Os números, impulsionados pela venda justamente de equipamento 5G, mostram que a Ericsson conseguiu compensar a perda de mercado na China e os problemas globais com a cadeia de abastecimento em meio à pandemia de Covid-19.

Em meio a boicote e queda nas vendas, Ericsson decide reduzir operação na China (Foto: Kārlis Dambrāns/Flickr)

Segundo Carl Mellander, diretor financeiro da Ericcsson, a participação no mercado chinês, que antes circulava entre 10% e 11%, caiu para 3%. Isso porque a empresa teve uma queda brusca na participação em licitações do setor de telecomunicações, uma resposta da China ao veto sueco imposto à Huawei. Problemas com a rede de abastecimento também pesaram na decisão da empresa, que teve problemas com entregas devido à falta de chips.

Ainda de acordo com Mellander, somente no terceiro trimestre deste ano, as vendas na China caíram cerca de US$ 418 milhões, o que levou à decisão de reduzir a operação. A decisão vai na contramão do que disse no mês passado o presidente-executivo da Ericsson, Borje Ekholm. Na ocasião, ele disse que ampliaria os esforços para recuperar mercado no país asiático.

Por que isso importa?

O 5G é o padrão de tecnologia de quinta geração para redes móveis e de banda larga, sucessor planejado das redes 4G que conectam a maioria dos dispositivos atuais. A disputa por esse mercado tornou-se ferramenta de pressão geopolítica, devido aos riscos de segurança mais elevados. Isso porque a nova tecnologia incorpora softwares responsáveis por um processamento dos dados pessoais dos clientes e outras informações confidenciais.

A decisão de utilizar ou não a Huawei como fonte das redes móveis 5G ocorre sob forte pressão dos Estados Unidos para banir o grupo chinês. Washington alega potencial de vazamento de dados e outras brechas de segurança em benefício do governo chinês.