Advogado de Alexei Navalny é adicionado à lista de ‘agentes estrangeiros’ na Rússia

Ivan Pavlov, ex-diretor da Fundação Anticorrupção do oposicionista, atualmente vive na Geórgia, para onde fugiu da perseguição do Kremlin
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O advogado Ivan Pavlov, defensor de Alexei Navalny e proeminente defensor de causas de direitos humanos na Rússia, foi adicionado à lista de “agentes estrangeiros” nesta segunda-feira (8) junto de quatro associados. As informações são da Radio Free Europe.

Além de Navalny, maior voz crítica ao presidente Vladimir Putin no país, Pavlov defendeu a organização anticorrupção (FBK) do oposicionista, bem como o jornalista Ivan Safronov, acusado de ter repassado à inteligência da República Tcheca dados sobre a venda de armas pelo governo russo na África e no Oriente Médio.

Juntamente do advogado, o Ministério da Justiça incluiu na listagem os nomes de Maksim Zagovora, Valery Vetoshkin, Yelena Skvortsova e Maksim Olenichev, todos ex-membros da equipe de Pavlov, conhecida como Komanda 29, ONG formada por advogados e jornalistas defensores dos direitos humanos.

Ivan Pavlov, ao centro, junto de seus colaboradores da ONG Komanda 29, que encerrou atividades devido ao cerco do Kremlin (Foto: divulgação)

Em mensagem no seu canal no Telegram, Pavlov alegou que a ação do ministério prova que “o trabalho de sua equipe é importante para promover a liberdade de expressão e informação”.

“Meu trabalho sempre foi baseado na lei, na franqueza e na ironia. Ao nos rotular como agentes estrangeiros [as autoridades] estão tentando se proteger da franqueza e da ironia, das quais parecem ter medo acima de tudo”, acusou o advogado.

O termo “agente estrangeiro” carrega conotações negativas da era soviética e carimba o que seriam organizações envolvidas em atividades políticas financiadas pelo exterior. Isso afasta anunciantes e outros financiadores, o que na maioria dos casos sufoca as organizações a ponto de levar ao encerramento das atividades.

Por que isso importa?

Pavlov, de 50 anos, ficou conhecido por abraçar casos de motivação política e pela defesa de acusados de traição ou espionagem pela FSB (Agência de Segurança Federal da Rússia, da sigla em inglês), órgão sucessor da KGB soviética.

Em abril deste ano, o advogado se tornou suspeito em um processo criminal sobre a divulgação de dados relativos aos casos de seu cliente, Ivan Safronov, que Pavlov classifica como tendo “motivação política”. Em setembro, ele fugiu para a Geórgia, de onde endereçou críticas ao Kremlin, a quem acusa de comandar uma campanha para eliminar do cenário político opositores indesejáveis.

Pavlov soma-se a outros partidários de Navalny que deixaram o país natal em consequência da repressão do Estado, entre eles Kira Yarmysh, porta-voz do político que foi para a Finlândia, e a condenada a prisão domiciliar Lyubov Sobol, importante aliada do oposicionista que reapareceu após especulações sobre sua fuga. 

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