Ajuda humanitária em prol de ‘interesses britânicos’ é criticada por entidades

Premiê Boris Johnson anunciou mudança na secretaria que coordena auxílio a países pobres no exterior
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O governo britânico foi alvo de críticas de organizações internacionais pela decisão de unificar o departamento de auxílio humanitário internacional com a Chancelaria, anunciada no último dia 16.

O Reino Unido gasta, por ano, cerca de 0,7% da sua renda nacional em projetos de ajuda a outras nações. De acordo a BBC, há em Londres temores de que o país abandonará sua posição de “superpotência em ajuda humanitária“.

As operações do novo órgão começam em setembro deste ano, comandadas pelo Secretário do Exterior, equivalente ao chanceler, segundo comunicado do governo britânico.

“A fusão é uma oportunidade para que o Reino Unido tenha maior impacto e influência no palco global. […] O secretário de Exterior terá o poder de tomar decisões sobre o custeio de auxílio, alinhadas às prioridades britânicas fora do país”, afirma o documento.

Ajuda humanitária em prol de 'interesses britânicos' é criticada por entidades
Palestra sobre o vírus do Ebola, patrocinada pelo sistema britânico de ajuda humanitária em Isanga, na República Democrática do Congo (Foto: Anna Dubuis/DFID)

“Esse é o exato momento em que devemos mobilizar todos os nossos ativos nacionais, incluindo nosso orçamento de auxílio e expertise, para salvaguardar os interesses e valores britânicos no exterior”, afirmou o premiê Boris Johnson ao Parlamento.

Entidades e rivais desaprovam

Críticos apontam que os auxílios podem ser empregados como moeda de troca para avançar interesses britânicos no exterior, em vez de usados para objetivos humanitários, como a erradicação da pobreza.

Entre os que se opuseram à medida, informou a BBC, estão antecessores de Johnson. Entre eles, o também conservador David Cameron e os trabalhistas Tony Blair e Gordon Brown.

Em comunicado, a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) afirmou que o Reino Unido arrisca abrir mão de “sua liderança global em desenvolvimento internacional” e a “importância britânica em um momento de crise global”.

Ao “The Guardian“, a ONG Save the Children afirmou por meio de seu executivo-chefe, Kevin Watkins, que a alteração é “desconcertante e nociva”. “As considerações humanitárias devem ser ouvidas nos mais altos níveis do governo”, afirmou.

Daniel Willis, da Global Justice Now, classificou a decisão como o “Império 2.0”. “A independência em relação à Chancelaria oferecia proteção para que a ajuda não fosse tratada como um fundo questionável para interesses comerciais”, disse. “Isso acabou.”

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